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    Ricardo Almeida

    01/02/2011
    às 11:22

    Categorias: comunicação, conteúdo, estratégia, internet, social network, trends & insights

    O Wikileaks e a informação transparente para todos: isso é bom?

    Sob a ótica do público, o Wikileaks é considerado hoje um dos maiores símbolos de um mundo clamando por mudança e de transparência de informações. Com base em exposição completa, espera-se que os segredos das superpotências venham à tona trazendo consigo planos que beiram o macabro para fortalecer os seus poderios em detrimento da desgraça alheia.

    Com esse discurso recheado de maniqueísmos, o fundador do Wikileaks, Julian Assange, praticamente atingiu o status de herói internacional. Mas isso procede?

    Quando se prega a informação 100% livre e transparente a todos, há que se considerar também que não são apenas os cidadãos “de bem”, por assim dizer, que terão acesso a ela. A mesma informação que pode eclodir movimentos populares legítimos pelo planeta pode também auxiliar terroristas em estratégias muito pouco heróicas. Como?

    Em dezembro do ano passado, o Wikileaks divulgou um documento secreto da CIA listando dúzias de localidades consideradas mais vulneráveis a ataques terroristas, tanto pela alta concentração de pessoas quanto pela carência de esforços de defesa. Um prato inegavelmente cheio para organizações como a Al Qaeda, citando apenas a mais famosa.

    Logo na sequência, entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, sabe quais países apresentaram maior densidade de buscas ao Wikileaks em todo o mundo, de acordo com o “Google Insights for Search”? Moçambique, Quênia, Uganda, Líbano, Tanzânia, Albânia, Azerbaijão, Sri Lanka, Ilhas Maurício e Etiópia (clique aqui para ver). Grande parte desses países, diga-se de passagem, é considerada reduto histórico de organizações terroristas.

    Quando se despe governos, empresas e cidadãos de todos os seus segredos, é importante entender que isso nem sempre será benéfico para a sociedade como um todo e que os males poderão ser traduzidos em verdadeiros genocídios viabilizados pela principal arma de qualquer terrorista: a informação.

    A informação 100% transparente vale, então, a pena?

    O livre acesso à informação, verdade seja dita, tem trazido inegáveis avanços a sociedades por todo o globo – e muito realmente se deve ao Wikileaks. Mas é fundamental não sermos ingênuos e entendermos que, como toda moeda, há dois lados envolvidos – e um deles acabará servindo a objetivos muito mais escusos do que imaginamos, podendo custar milhões de vidas de inocentes.

    A pergunta que fica é: os benefícios superam os riscos de se nutrir células terroristas de informações detalhadas sobre alvos ideais?

    Agora, a responsabilidade por esta decisão não está apenas nas mãos de governos, tradicionalmente oblíquos na representação da vontade popular. Quem define se a relação “custo x benefício” da transparência plena de informação é válido somos nós que, na coletividade, formamos a opinião pública.

    E essa definição é dada a cada vez que, cientes dos benefícios e riscos, proferimos o nosso julgamento individual ao elogiar ou criticar organizações como o Wikileaks.

    » Comentários

    • Claudinei Pinheiro

      02/02/2011 - www.hsm.com.br

      E o Wikileaks ainda foi indicado ao prêmio Nobel da PAZ.

      http://www.emirates247.com/news/world/wikileaks-nominated-for-2011-nobel-peace-prize-2011-02-02-1.350742

    • Eder L. Marques

      03/02/2011 - blog.edermarques.net

      Ricardo, não só é bom, é ótimo!

      Segurança por obscuridade é extremamente fraca.

      Seus exemplos não se justificam. Por favor, leia
      http://blog.edermarques.net/opiniao-2/pelo-direito-a-informacao/


      Eder L. Marques (@edermarques)

    • Ricardo Almeida

      09/02/2011 - www.i-group.com.br

      Mas ninguém falou em segurança por obscuridade, Eder. Na verdade, nenhum dos dois radicalismos, na minha opinião, são válidos – mesmo porque nunca ouvi falar de ninguém (empresa, governo ou pessoa), por mais defensor que seja da transparência completa, que tenha se despido em absoluto de todos os seus próprios segredos. Segredos são, por vezes, essenciais.

      A não ser que, para ficar apenas no exemplo do texto, realmente se acredite que divulgar uma lista de pontos mais suscetíveis e “ideais” para ataques terroristas – colocando milhões de vidas em risco – realmente possa trazer algo de bom.

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