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    Ricardo Saldanha

    14/01/2011
    às 09:43

    Categorias: competitividade, conteúdo, estratégia, gestão 2.0, inovação, social network, tecnologia, trends & insights

    Na “Intranet 2.0″, é a informação que busca você

    Virada de ano é sempre momento de falarmos sobre tendências. O que o futuro nos reserva, afinal? No mundo das intranets e portais corporativos 2.0, uma das principais é a “disseminação seletiva da informação” – contraditoriamente, algo um tanto antigo, mas que nunca foi tão atual quanto hoje.

    Afinal, no universo corporativo, em nosso trabalho diário, lidamos com uma massa absurda de informações, como nunca antes. Encontrar a agulha no palheiro significa alcançar o “just in time da informação”, que deveria estar facilmente acessível. Mas… como?

    Aposto que muitos leitores pensarão que a solução está numa potente ferramenta de busca. Mas isso não basta (embora seja importante). Implica em você saber o que quer encontrar. E implica em esforço – ou seja, o ônus de achar a informação relevante ainda é seu, mesmo que facilitado parcialmente pela tecnologia.

    Mas a tendência é que as intranets e portais corporativos avançados estejam um passo a frente da sua necessidade. Isso mesmo: estamos falando de um ambiente “inteligente“, que deduz o que você precisa e se torna pró-ativo, empurrando para você o que é relevante (segundo o processo em que está atuando e o seu papel na organização, por exemplo). É a onda “push“, baseada em categorias, algoritmos e, sobretudo, em uma lógica probabilística (típica da web 2.0).

    Complicado? Nem tanto: quando você consulta um produto numa loja virtual e ela te informa “quem comprou isso comprou também”, tudo isso está acontecendo nos bastidores. Baseado na navegação e nas ações dos demais usuários, o sistema deduz que seu comportamento pode ser similar ao de outros e sugere itens que provavelmente podem te interessar. Sem que você tenha pedido nada – de forma pró-ativa, portanto. Mais “push”, impossível.

    Traduzindo isso para o mundo corporativo, isso é ainda mais fácil – ainda que não seja trivial. O primeiro passo é fazer com que o sistema carregue uma identificação mais rica de você e dos demais colaboradores na hora do login. Seu perfil, incluindo hierarquia, papel e áreas de conhecimento que domina, por exemplo, podem (e devem) ser parte desse processo logo que você acessa a intranet – assim, você deixa de ser um usuário anônimo e comum.

    O segundo passo é indexar os conteúdos – e aí há várias opções, desde lista de termos até as famosas tags, passando por taxonomia e dicionários controlados. Coisa para profissionais da Ciência da Informação definir, portanto.

    Com o seu perfil definido e a informação tratada, as relações podem ser construídas pelo ambiente, seguindo tanto as pegadas da sua navegação quanto a probabilidade de temas correlatos serem interessantes para você. As possibilidades são inúmeras – veja alguns exemplos práticos:

    ● Digamos que você trabalhe no setor elétrico e seja um especialista em hidrelétricas – claro, isso estará no seu perfil. Quando um novo conteúdo relacionado a elas for inserido no ambiente – por qualquer outro colaborador, em qualquer lugar, a qualquer tempo –, você pode ser avisado sobre isso.

    ● Categorizar as pessoas também ajuda a aglutiná-las (todas que estudam hidrelétricas na organização) e a localizá-las (quem são os especialistas que podem me ajudar num projeto de hidrelétrica?).

    É claro que não existe “almoço grátis” – um ambiente como esse, inteligente e pró-ativo, que ofereça sempre a você o que é mais relevante, depende de uma mudança de postura das pessoas, de uma análise de negócios consistente e de uma estruturação muito mais complexa do ambiente – bem diferente de um simples site com páginas estáticas, imagem que ainda vêm à mente de quem ouve a palavra “intranet”…

    Por outro lado, é esse ambiente rico, dinâmico, interconectado – que promove de fato a gestão da informação e do conhecimento – que pode agregar um enorme valor às organizações. É um dos elementos de uma efetiva rede social corporativa. Aí, sim, estaremos dando um passo importante para construir, de forma pragmática, a inteligência organizacional – e isso é, sim, diferencial competitivo. Logo, crucial.

    P.S. – Para quem acha que é tudo teoria, vale conhecer o caso do Operador Nacional do Setor Elétrico (ONS), vencedor do Grand Prix do Prêmio Intranet Portal 2010 (setor não-privado) – tanto para conhecer os resultados quanto para conhecer os desafios de se avançar no sentido da Intranet 2.0.

    @InstitutoIP

    » Comentários

    • Thiago de Assis

      14/01/2011 - www.e-consultingcorp.com.br

      Olá Saldanha,

      Muito interessante seu post.
      Antecipamos uma variante dessa tendência no contexto da web semântica 3.0.
      Após a explosão de informação que vimos nos últimos tempos, já era hora de termos tecnologias que nos permitissem encontrar dados mais rapidamente.

      Abs

    • CLAUDIO DAMASCENO

      15/01/2011 -

      PARABÉNS EXCELENTE.

    • Jamisson Melo

      17/01/2011 -

      Saldanha,
      Parabéns pelo excelente post.
      Realmente esse “mundo novo” de um ambiente corporativo inteligente que se antecipa e serve a informação para o perfil do usuário, será uma base forte para promover a gestão do conhecimento nas organizações. Como você destacou é um caminho arduo e trabalhoso, mas com resultados compensadores.
      Abs.

    • Ricardo Saldanha

      17/01/2011 - www.intranetportal.org.br

      Cláudio, obrigado pelo elogio e incentivo.

      Thiago, é exatamente isso: precisamos de novas abordagens que de fato garantam aumento da produtividade, com melhor gestão da informação e conhecimento na prática. Obrigado pela contribuição.

      []s,
      Saldanha
      @ricardosaldanha

    • Ricardo Saldanha

      17/01/2011 - www.intranetportal.org.br

      Jamisson, obrigado. Nós dois sabemos o quanto é excitante e complexo chegar lá, mas é o caminho sem dúvida, não? Com a evolução das pessoas (cada vez mais familiarizadas com a web 2.0), da tecnologia e do framework corporativo (mais aberto e menos rígido), esse ambiente tem tudo para se consolidar como uma plataforma de real produtividade.

      []s,
      Saldanha
      @ricardosaldanha

    • Ricardo Saldanha

      18/01/2011 - www.intranetportal.org.br

      Amigos leitores,

      Sugiro a leitura do post “The 9 kinds of context that will define contextual search”, do Ross Dawson, recém publicado, pois é um excelente complemento ao que escrevi no meu post:

      http://rossdawsonblog.com/weblog/archives/2011/01/the-8-kinds-of-context-that-will-define-contextual-search.html

      Notem que o contexto é justamente o que faz a diferença, permitindo uma abordagem “push”. Na web, isso é um grande desafio – mas nas intranets, embora não seja trivial, estamos em um ambiente restrito, com uma facilidade muito maior de saber quem está logando (e qual o seu contexto).

      []s,
      Saldanha
      @ricardosaldanha

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