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    Leandro Ogalha

    22/12/2010
    às 14:00

    Categorias: economia, inovação, internet

    Bolha tecnológica

    Há alguns anos assistimos a explosão da chamada bolha ponto.com, acabando com dezenas de empresas que criavam, de forma desordenada, o milagre da conectividade digital. Pouco tempo se passou e muita coisa aconteceu. Hoje vivemos uma revolução em termos de acesso a informação, conexão social por meio de novas mídias e interatividade com os famosos aplicativos que surgem de forma frenética e com adesão em massa.

    Este fenômeno tecnológico advém de pequenas empresas de tecnologia que, com aportes financeiros sem precedentes, produzem as plataformas e suas ferramentas que hoje nos possibilitam ler qualquer jornal do mundo em um tablet, ou compartilhar nossas vidas com uma rede de pessoas com quem provavelmente nunca tomaremos um café.

    A questão é que essas tecnologias nos interessam muito, gerando uma corrida por novos lançamentos, fazendo com que investidores saiam assinando cheques bilionários para as chamadas startups tecnológicas manterem este ciclo de produção e consumo hi-tech.

    O que tudo indica, é que esta movimentação e a junção de fatores podem desencadear em uma nova bolha. Claro que existem diferenças entre os dois momentos, a começar pelo fato dessas empresas (a maioria) não terem capital aberto negociados em bolsa. No entanto estão em permanente negociação com grupos que detém muito dinheiro em caixa, gerando investimentos cada vez maiores e muitas startups que ainda não faturam se quer um dólar tornam-se gigantes com valores astronômicos de mercado.

    Vale citar as próprias palavras do investidor Fred Wilson, publicadas recentemente em seu blog e em matéria no NY Times: “Nunca vi fases com essas características terminarem bem”.

    Claro que não pretendo ser profético, muito menos declarar algum tipo de apocalipse digital (até porque, eu, minha empresa e meus clientes, somos dependentes de todas essas tecnologias), mas pelo que tenho lido por aí, existem nuvens negras pelo horizonte. É bom ficar de olho, pois se esta bolha explodir vai respingar em todos nós.

    » Comentários

    • José Eugênio Grillo

      30/12/2010 -

      Leandro, muito bom o alerta do artigo. Mais de uma década se passou quando do estouro da bolha pontocom. O livro “Boo.Hoo: A Dot Com Story from Conception to Catastrophe” escrito pelo fundadores da Boo.com relata o fracasso de um empreendimento que levantou U$ 130 M e faliram com uma dívida de U$ 70 M em poucos meses. Só que os 400 colaboradores foram para novos empregos com suas ideias e expertise. Já naquela época, o fracasso não manchava tanto a reputação dos colaboradores e dos empreendedores inovadores. E, na economia do conhecimento, o valor é mais atribuido a coisas intangìveis (ideias) do que as tangíveis, das empresas do passado. Mesmo com um novo estouro (toc toc toc tb), sempre haverá uma demanda maior que a oferta pelas melhores pessoas pois os grandes talentos não temem riscos. E as empresas nada mais são que talentos alinhados aos seus propósitos.
      @grillojotae

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