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Luiz Alves
04/10/2010
às 21:09Categorias: autodesenvolvimento, estilo e comportamento, inovação, trends & insights
Inovar não é opção
Se você perguntar para dez executivos o que é inovação, certamente ouvirá dez respostas diferentes. No entanto, quando a mesma pergunta for feita ao consumidor, seja ele de produto ou serviços, as respostas serão muito parecidas. Isto significa que uma empresa, ao pensar em inovar, deve se examinar de fora para dentro, ouvindo sempre o que os clientes têm a dizer.
Parece simples, não é mesmo? Mas nem sempre isto se passa.
Vejamos um caso de uma rede de hotéis que está no topo do mercado há vinte anos. Pois bem, o negócio deste hotel em nada mudou neste tempo e continua sendo oferecer serviços de hospedagem e de alimentação. Mas, ao examinar como estes serviços eram prestados há vinte anos, certamente a diferença será brutal. Desde o cardápio do restaurante ao atendimento de check-in, por exemplo, foram introduzidas importantes mudanças no sentido de dinamizar as demandas e oferecer ao cliente uma experiência de hospedagem muito melhor. Por isto, defendo que inovar é sinônimo de não se conformar.
No caso de produtos, até mesmo pela característica do tangível, as mudanças são percebidas, vistas e sentidas de maneira muito mais contundente. Basta olhar para trás, mas não muito, e comparar os primeiros modelos de celulares com os mais modernos do mercado atual. Vale lembrar o caso da Nokia, por exemplo, que em 1998 assumiu a liderança como o maior fabricante mundial de celulares. A empresa vendeu o seu bilionésimo aparelho em 2005, está em queda livre nos últimos três anos, mas ainda mantém uma importante fatia do mercado mundial.
De fato, a Nokia passou de um caso de sucesso para um exemplo de estagnação e perda de mercado. Desde o lançamento do iPhone, em 2007, a companhia despencou em termos de market share. Sua marca perdeu espaço no mercado e caiu do 13º para o 43º lugar em termos de importância, segundo uma lista elaborada recentemente pela Millward Brown Optimor. Mas qual foi o erro estratégico cometido pela Nokia?
Provavelmente o mesmo erro cometido por outros grandes grupos que já foram líderes de segmento e perderam a liderança por se focar em manter a participação no mercado ao invés de continuar a criar produtos inovadores. Ou seja, se acomodar ao atingir a liderança. Ao mesmo tempo, a Apple e outros fabricantes, especialmente os coreanos, não param de introduzir novos produtos no mercado. Vale salientar que o setor de celulares depende muito de alavancagens advindas de empresas de internet, produtos eletrônicos e fabricantes de software, fato que talvez a Nokia tenha ignorado.
Embora o celular de hoje tenha como cerne o serviço de comunicação de anos atrás, os usuários querem ver incorporadas novas facilidades de comunicação que vão além de falar e transmitir mensagens e imagens. Na verdade, os aparelhos de hoje são muito mais que telefones móveis que foram em passado recente: hoje o celular é um dispositivo de comunicação interativa multiuso, com elevada capacidade de processamento e armazenamento.
Além disso, inovar vai muito além de produzir algo diferente. A sociedade está atenta para os impactos ambientais, por isto cobra das empresas uma postura ambientalmente responsável, através do uso de processos de produção mais limpos. Sendo assim, é fundamental estabelecer ações para mitigar o uso de recursos do planeta, além de reutilizar e reciclar materiais usados. No caso dos celulares, além de produzir um aparelho com design moderno e com novas funções, é indispensável reduzir a quantidade de energia, água e outros materiais na sua produção. Além disso, usar embalagens recicladas, otimizar transporte, não explorar mão de obra infantil e escrava, recolher aparelhos e baterias para reaproveitá-los, entre outras medidas, estão sendo cobradas pelos consumidores. É importante observar que isto tudo vale para todas as empresas de produtos e serviços de tintas a automóveis, de hospitais a restaurantes, entre outros.
Dada a exaustão de uso de recursos do planeta, existe muito espaço a ser explorado na economia verde que deve ser o mercado mais inovador das próximas décadas. Não se trata apenas de reciclar ou reaproveitar, mas de usar os recursos de maneira mais inteligente.
Como se vê, inovar é algo muito abrangente e complexo, portanto as empresas que tiverem maior capacidade de antecipar-se neste critério terão grandes chances de ocupar maior espaço na preferência de seus consumidores, seja ela do setor de serviço, produtos ou ambos. A inovação vai a níveis tão profundos que o tratamento de resíduos, por exemplo, deixou de ser um problema e se transformou em um negócio. Inovar não é uma questão de opção, mas de pura necessidade de sobrevivência. Lembre-se do que aconteceu com os dinossauros.
» Comentários
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Thiago de Assis Silva
07/10/2010 - www.domsp.com.brCaro Luiz,
Inovação para se tornar ativo de valor deve funcionar na vida real, ou seja, trazer resultados concretos a quem a gerou (tais como domínio de novos mercados, derrota de concorrentes, aumento de market-share, aumento nas vendas, etc).A partir dessa ótica, permita-me discordar que inovação está, necessariamente, ligada à abrangência e complexidade.
A inovação não é somente alcançada por grandes empresas, grandes gênios ou grandes orçamentos…
Nessa linha, permita-me compartilhar um artigo que defende mostra a relação entre inovação e empreendedorismo que encontrei no site da DOM.
Abs
TA -
Luiz Alves
15/10/2010 - blog.luizalves.netCaro Thiago,
Primeiramente obrigado pelo comentário.
Entendo e respeito o seu ponto de vista, afinal opiniões diferentes é que permitem gerar inovação. Por outro lado, não posso concordar que inovar tem necessariamente que trazer resultados concretos, como derrota de concorrentes, aumento nas vendas, etc. Desculpe-me, mas este é o grande problema da humanidade míope que criou um sistema de valores calcado unicamente em resultados financeiros a qualquer custo. O que dizer da Pastoral da Criança, que inovou introduzindo um soro caseiro que reduziu dramaticamente a mortalidade infantil, especialmente em regiões mais desassistidas? Neste caso, não se derrotou nenhum concorrente, ou provocou aumento de vendas, ou mesmo aumento de market share, mas não tenho dúvidas que se trata de uma grande inovação.
Você sabe que mais de 1 bilhão de pessoas padecem de restrição alimentar séria no mundo? Para mim, inovar também significa trabalhar as questões que ajudariam a diminuir este quadro imoral. Tenho certo que se o foco for de criar valor, provavelmente algum “empreendedor” vai buscar fazer algo para ganhar dinheiro com a desgraça alheia. Talvez tenha sido por isso que Bill Gates tenha inovado ao sair do comando da Microsoft para se dedicar a questões humanitárias. Quando me referi a inovação como algo complexo, fiz referencia a questões intangíveis – justamente ao contrário do que você propõe – como os efeitos provocados ao meio ambiente ao se produzir algo em escala industrial.
Uma boa maneira de inovar seria todos nós avaliarmos qual é o rastro que deixamos no meio ambiente ao consumir um determinado produto. Creia-me em muito pouco tempo as empresas deverão publicar na embalagem de seus produtos, a quantidade de água que usou em sua produção, assim como a quantidade de carbono dissipado. Se tiver a oportunidade pesquise um pouco sobre a pegada hidrológica.
Não entenda a minha réplica como alguém que não aceita criticas, ao contrário, sou adepto ao dialogo através de idéias construtivas, que nos permita crescer. Não sou um eco chato, mas defendo muito as questões ligadas a sustentabilidade tanto do meio ambiente como social, que certamente tem muito a ver com a inovação.
Super abraço e mais uma vez obrigado pelo comentário.
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