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    Luiz Alves

    18/10/2010
    às 11:52

    Categorias: estilo e comportamento, sustentabilidade, trends & insights

    Dia Mundial da Alimentação

    Há um mês, li uma manchete em um jornal que me chamou a atenção: “Fome global cai pela 1ª vez em 15 anos”. O primeiro ímpeto foi: “que bom!”, mas depois vinha o subtítulo da noticia: “Relatório da agência da ONU diz que, em 2010, menos de 1 bilhão de pessoas sofre de subnutrição no mundo”. Isto mesmo, você leu certo. Existe quase um bilhão – cifra correta 925 milhões, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) – de pessoas passando fome crônica no planeta.

    No último dia 16, se comemorou o Dia Mundial da Alimentação. Comemorar? Dá para aceitar que 16% da população mundial sofra de privação alimentar grave no século XXI?

    Do ponto de vista humano, isto é inaceitável, especialmente quando se verifica que o maior volume de pessoas atingidas por esta peste mundial são crianças. Enquanto você lê este artigo, mais de dez crianças morrem de fome. Isto se você lê rápido, já que a estatística é que a cada seis segundos uma criança morre de fome devido à desnutrição em algum lugar do mundo. Isto é impensável, inaceitável, imoral.

    Mais da metade dos desnutridos, segundo a FAO, estão na Ásia. O que faz todo sentido, já que quase a metade da população mundial também está ali concentrada, especialmente entre China e Índia. Mas a África não fica atrás, pois também possui um enorme contingente de desnutridos. Da mesma maneira a América Latina, em especial o Brasil, contribui com um número elevado de famintos.

    Embora seja questionável, são duas as maneiras utilizadas pelas entidades oficiais para medir a fome: (a) pela insuficiência de alimentos que as pessoas consomem e (b) pela renda que as pessoas recebem. O Brasil apresentou avanços na erradicação da fome, mas ainda tem população de 11,9 milhões de subnutridos, de acordo com estatísticas da FAO. O país tem muito a desenvolver no campo social, especialmente em distribuição de renda e na posse da terra.

    Especulando ainda sobre as causas da desnutrição, o que se pode constatar é um problema que igualmente tem dimensões globais. As causas principais são o preço dos alimentos e os problemas gerados pela seca, que na verdade se traduzem em uma questão única: menor oferta de alimentos. É simples de entender: o problema da seca ou das enchentes leva a produzir menos, e com isso ocorre o aumento de preços, assim como a forte demanda por bicombustíveis que também reduz a oferta e provoca o aumento do seu custo.

    O peso da desigualdade mundial é de 10 milhões de pessoas morrendo de fome e doenças associadas todos os anos. A escalada nos preços dos alimentos pode empurrar mais 100 milhões de pessoas para o flagelo absoluto. Mais que isso, um grande contingente de pessoas, apesar de não passarem fome, vivem uma insegurança alimentar muito grande. Portanto, as ações contra a fome devem garantir o acesso à alimentação de forma consistente.

    O mundo não pode passivamente assistir este imoral espetáculo. É necessária uma cruzada global pró-vida, que envolva a sociedade de todas as partes do mundo. Talvez o caminho mais curto para mitigar os efeitos da fome seja desenvolver técnicas para reduzir o custo dos insumos e melhorar a produtividade, mas acima de tudo são necessárias ações concretas que reduzam a ganância de produtores e das grandes indústrias de alimento. Este assunto deve estar na agenda de todos e não somente dos governantes. Pense em como dar a sua contribuição. Acredite você pode fazer muito mais do que pensa.

    » Comentários

    • Daniella Simões

      18/10/2010 - daniellasimoes.blogspot.com

      Acho super interessantes aqueles estudos sobre a nutrição, que normalmente são realizados por faculdades, sobre, por exemplo, casaca de banana… farofa de não sei o que… para aproveitar os alimentos. Acredito que as algumas respostas possam estar nesses estudos, pois além de nutrir eles estão aproveitando o alimento por inteiro.

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