HSM

Um processo para inovação criativa

PBCA pode ser uma importante ferramenta para combinar processamento de novas ideias

 

Nunca antes a palavra processo foi tão significativa no universo da inovação como atualmente. Novas informações, novos critérios, novas ideias e novos modelos de negócio chegam frequentemente ao mercado e as empresas precisam absorver essa massa de transformações e, como se não bastasse, transformá-las, por sua vez, em novos produtos, novos serviços, modelos de negócio etc.

Os processos que permitem essas passagens são fundamentais e os profissionais dentro das empresas devem, portanto, ter a habilidade de gerenciar todos eles.

É sabido que a inteligência humana é perfeitamente capaz de lidar com um desafio desse porte desde que ela tenha, novamente, um processo adequado para fazê-lo.

O Processo Basadur de Criatividade Aplicada (PBCA), desenvolvido pelo pesquisador Min Basadur, da McMaster University (no Canadá), é resultado de uma série de pesquisas em torno dos modos de processamento próprios de cada tipo de profissional e combinadas ao estudo de processos de implementação de ideias. Suas vantagens são inúmeras.

Em primeiro lugar, essa metodologia admite que cada pessoa pode conhecer o seu perfil no tocante ao seu modo de resolução de problemas. A antiga crença de que há um método para pôr ideias em prática que seja objetivo, independente da subjetividade de cada um, perdeu espaço para o entendimento de que os indivíduos possuem estruturas próprias de funcionamento e que elas devem ser respeitadas para que as coisas realmente aconteçam.

Conhecer essas estruturas tornou-se fundamental a qualquer pessoa que trabalhe com pessoas. No caso desse perfil, fica claro para cada profissional em qual etapa do processo de inovação ele se sente mais à vontade e, logo, está mais apto a desenvolver excelência.

Como resultado, toda a equipe passa a compreender melhor os pontos de desavença comuns a cada membro (um tipo mais conceituador, por exemplo, tende a ser visto como teórico por um tipo mais implementador, que, por sua vez, pode ser considerado insensato a um planejador, e assim por diante). Aquilo que era um grande problema, torna-se uma grande ferramenta: cada tipo é chamado a ser excelente numa etapa específica do processo e todos realmente colaboram entre si.

Em segundo, o processo distingue etapas necessárias desde a concepção de uma ideia até a sua implementação. Essa distinção não é exatamente uma novidade, porém, muitos processos ligados à inovação constituem uma via direcionada de antemão (por exemplo, uma estrutura de passos que levem a um foco único).

A vantagem é que não há um direcionamento forçado e sim uma estrutura circular, permitindo a exploração e o aprofundamento dentro de cada etapa, de modo que o direcionamento e o foco vão surgindo pela própria necessidade da situação em particular, o que possibilita o trabalho com um material mais rico e, consequentemente, com mais orientação para as oportunidades reais de inovação.

Assim, a empresa não apenas se beneficia com a excelência de cada profissional – pois abre espaço para que ele atue no seu melhor – , como também é favorecida por um forte realismo diante do mercado, garantindo máximo aproveitamento de suas potencialidades.

Igualmente, os profissionais são beneficiados porque seu trabalho ganha uma amplitude de resultados e um reconhecimento efetivo.

Finalmente, ao simplificar ao extremo as rotinas de trabalho de uma equipe, o PBCA consente que elas aumentem sua capacidade de resposta a novas demandas. O que, dada a enorme exigência do mercado atual, não é pouca coisa.

Olga Modesto é professora do curso “processos criativos para inovação” no CIC (Centro de Inovação e Criativadade) da ESPM-SP.

Portal HSM
01/11/2011

por:
Sem votos

Comentários

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.