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Sucessão: um longo processo

Joseph Bower abriu o segundo dia do Fórum Mundial de Gestão de Empresas Familiares abordando a sucessão do líder, um desafio que exige planejamento e pode levar anos. Trata-se de um processo, não de um evento

A sucessão do CEO (Chief Executive Officer) é um desafio que aflige muitas empresas. Mais do que significar a substituição de um líder, ela implica o planejamento de um processo e o desenvolvimento de lideranças. “O modo de gerir a sucessão é um reflexo de como a empresa é administrada”, disse Joseph Bower, o primeiro palestrante do segundo dia do Fórum Mundial de Gestão de Empresas Familiares.

Bower iniciou sua apresentação lembrando que uma empresa vencedora persegue baixos custos, inovação constante e foco no cliente. “Isso exige um grupo de pessoas talentosas e dedicadas trabalhando em equipe e indo além das unidades de negócio ou fronteiras nacionais”, diz ele. “Para isso, a continuidade é necessária.”

Para garantir a continuidade, a empresa deve investir no processo sucessório. A empresa familiar conta com dois ingredientes que ajudam muito na sucessão: é fonte natural de líderes comprometidos e seus membros têm, normalmente, a visão de longo prazo necessária para a continuidade.

Além de refletir como uma empresa é administrada, o processo sucessório na empresa familiar reflete a maneira como a própria família é gerida. Em especial, o modo como as crianças são educadas. “Uma família que decide criar riqueza por meio da empresa começa a preparar as crianças desde cedo”, diz o professor de Harvard. “A empresa e seus desafios sempre são assunto entre os familiares e o trabalho duro e o treinamento são valorizados”. Cultivando o espírito de liderança, a família voltada ao negócio ensina aos seus jovens que liderar não é um direito herdado, mas um serviço e um privilégio.

Bower aponta que duas situações ocorrem na empresa familiar, no que tange à sucessão: ou os filhos escolhem um líder entre eles, e esta pode ser uma escolha competente, ou a rivalidade entre irmãos é instalada.

Uma pergunta crucial a que a primeira e a segunda gerações devem responder juntas é se a empresa deve permanecer nas mãos da família. Para a família, administrar ativos na empresa é a melhor maneira de preservar e ampliar a sua riqueza. No entanto, é comum que os pais queiram continuar com a empresa, enquanto os filhos não desejam o mesmo.

“Se a geração dos pais foi bem-sucedida, a tarefa de conduzir a empresa é árdua. A dimensão e a complexidade do negócio exigem talento real e compromisso de gerenciá-lo”, constata o palestrante. Por outro lado, se a geração dos pais não foi bem-sucedida, orquestrar a reviravolta da empresa pode ser dificílimo. Tudo isso só reforça a necessidade de preparar bem o futuro CEO, ou melhor, os candidatos a futuro CEO.

A semente de um pool de candidatos

“A meta do planejamento da sucessão é criar uma lista de candidatos qualificados da qual um sucessor possa ser escolhido de acordo com as necessidades do momento”, explica Bower. Ele também chama a atenção para o fato de várias organizações não terem sequer um candidato qualificado –um pool de candidatos, então, é muito raro.

Preparar um líder familiar capaz de gerir estrategicamente a empresa é responsabilidade dos seus líderes. No entanto, em pesquisa realizada em 2003 junto a gestores de RH, levantou-se que 60,5% das empresas não tinham plano de sucessão. “A sucessão não é um evento, mas um processo que se estende por muitos anos”, alerta o palestrante. Daí a necessidade de planejar ações de recrutamento, treinamento e desenvolvimento dos talentos.

Em relação ao recrutamento de pessoal em todos os níveis, um alerta especial às famílias: “Se vocês contratarem com base em seu passado, manterão o seu clubinho”. O saudável é contar também com pessoas que não se encaixem perfeitamente na visão vigente e a questionem, o que resulta em aprendizado e mudanças positivas, pois não é possível saber os desafios que o futuro reserva à empresa. Diversidade é a palavra-chave para garimpar alguém que tenha um olhar de estrangeiro, ainda que seja um membro da família.

HSM Online
20/05/2009

Veja a cobertura completa do Fórum Mundial de Gestão e Empresas Familiares 2009

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Comentários

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Realmente, a forma como a família é "gerida" influencia a forma como o negócio será gerido, enquanto a família estiver à frente do negócio.Muitos empreendedores são compententes em dar uma visão de negócios aos seus filhos/sucessores, porém, quanto mais competentes forem, mais alternativas entre os filhos terão para escolha, algo que aparentemente é bom, dá uma sensação de que há um planejamento sucessório.Acontece que aí também reside um problema, pois, vai caber ao PAI ou MÃE decidir friamente, qual dos filhos será o escolhido.Neste cenário, influem componentes emocionais, que acabam por voltar ao ponto inicial das rivalidades entre irmãos, que diferentemente da rivalidade entre executivos, pode não estar focada na defesa do que se acha melhor para a empresa, mas para sí própiro e para seu ego.
O mais dificil é para os pais admitirem que eles tiveram sucesso em fazer patrimônio, porem não conseguiram o mesmo com os filhos.A entrada de "estranhos" genros, noras, cria um vácuo, pois os mesmos são mais competentes que os filhos, como admitir isso?A responsabilidade toda é do PAI, pois ele quem criou os filhos e "impos" a sua condição de hereditariedade, não tendo coragem de assumir um lado da moeda.Infelizmente a maioria das empresas acabam por falta desse sucessor.

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