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Seth Godin: Menos ovelhas, mais inovadores

Fomos ensinados a nos adaptar, mas a adaptação não conduz à inovação. Para inovar, é preciso ter coragem e assumir responsabilidades. Esse é o ponto de vista de Seth Godin, que também falou sobre seu próximo livro


Durante toda sua apresentação no Fórum HSM Marketing & Customer trends, Seth Godin insistiu na ideia de que estar na média e vender produtos medianos é coisa do passado –ou deveria ser. De fato, segundo ele, criou-se uma geração de “pombos”, pessoas que levantam e abaixam a cabeça como a ave, conforme usam o iPhone para verificar “se está tudo bem lá no escritório”.

Nosso cérebro faz com que ajamos como carneiros, adaptando-nos como as demais pessoas, em vez de criarmos algo verdadeiramente novo. Mas agir de maneira não programada foi o que salvou a vida do monge desta alegoria que Godin trouxe a sua audiência: “Três monges budistas caminhavam, um deles mais velho que os demais. Quando passaram em frente ao cemitério, viram que um cachorro bravo latia de maneira ameaçadora, mas ele estava preso a uma corrente. De repente, a corrente se rompeu e o cão disparou na direção deles. Os jovens monges deixaram de agir como budistas de imediato: saíram correndo e deixaram o velho sozinho. Ele, então, em vez de tentar em vão fugir, correu na direção do cão que, diante do inusitado, acabou fugindo”.

O palestrante comenta que o velho monge surpreendeu a todos ao enfrentar o medo e fazer uma espécie de ‘arte’. Num ato criativo, agiu contra a prescrição. Não foi o que fizeram os companheiros de voo de Godin, quando uma viagem de apenas 29 minutos levaria algumas horas, por problemas no aeroporto de destino.

O palestrante decidiu, então, prosseguir de carro, pois a distância a percorrer seria pequena. Ele se levantou, ainda dentro da cabine, e anunciou que tinha três lugares disponíveis em seu carro, e pode culpar ninguém. Fomos ensinados a sempre culpar outra pessoa, e também a esperar que alguém nos dê autoridade. Precisamos pensar diferente!”

Godin explica como, de modo sui generis, procurou estimular sua equipe a assumir os riscos de tentar ser diferente, errar eventualmente e inovar. A segunda melhor pessoa em sua equipe de 70 membros era muito bem-sucedida. Na frente de todos, Godin deu o recado: “Nas últimas duas semanas, você não fracassou nenhuma vez. Se você não fracassar, vou lhe despedir”.

No entanto, para deixar tal mensagem, isto é, para demandar a inovação, um líder precisa contar com um sistema que não recompense apenas quem nunca fracassa. Ele estava disposto a dar carona, mas ninguém quis ir com ele. As pessoas preferiram ficar paradas aguardando dentro do avião, porque tinham sido treinadas para ficar no avião, não para levantar e partir.

Fora da curva

Em seu próximo livro ainda não lançado, o autor afirma que, se nos dão opções, fazemos escolhas sobre aonde ir, o que consumir, quando comprar. Assim, a curva senoidal que define a distribuição normal que nos ensinam na faculdade está se abrindo.

“O marketing tem de fazer alguma coisa sobre essa possibilidade de escolha. Ou lutamos contra ou assumimos que gostamos do que é estranho e não precisamos ser tão grandes, não nos preocupamos com fazer dinheiro, pois queremos ser queridos e parte da tribo”, avaliou Godin, adiantando ao público do Fórum HSM a preocupação que norteia sua próxima obra.

Em 2003, Godin lançou o livro que, em português, foi intitulado A vaca roxa: como transformar sua empresa e ganhar o jogo fazendo o inusitado (ed. Campus/Elsevier), livro em que destaca a necessidade de uma marca cotar uma história. Perguntado sobre como atualizaria o conteúdo que apresentou então, ele respondeu: “Tudo continua verdade, só que em volume mais alto, especialmente o poder do consumidor de se comunicar com outros consumidores. Ficou tão barulhento que é mais importante ainda contar uma história verdadeira, que coincida com a perspectiva de mundo e as crenças de um pequeno grupo, que a difundirá.”

Portal HSM
28/09/2011

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