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Seth Godin: Marqueteiro não, artista!

Para Seth Godin, profissionais e empresas têm de trabalhar mais com o coração do que focadas em dinheiro, se quiserem ser diferentes e ter com quem trocar

 

A Harley Davidson e a Apple são exemplos de marcas que reúnem tribos, grupos de pessoas que partilham interesses, cultura e talvez um líder comum. É para as tribos que o marketing atual deve se dirigir.

Membros de tribos querem se encontrar e desejam, arduamente, encontrar outros grupos com quem também tenham algo em comum. “Vocês têm capacidade de conectar pessoas que querem ser conectadas”, afirmou Seth Godin, dando continuidade à sua apresentação no Fórum HSM Marketing & Customer Trends.

“Antes da Nike, não havia uma tribo de corredores, desses que vestem shorts curtos e camisetas. A Nike inventou essa tribo. Os Beatles também não inventaram os adolescentes, mas surgiram para liderá-los”, exemplificou Godin.

E, se o assunto são os adolescentes, a Mismatch, empresa de Nova York que comercializa meias, dá o tom. Quando se trata de meias, uma empresa como o Walmart pode ir à China, a Portugal ou à Malásia e conseguir produtos baratíssimos, mas a Mismatch conseguiu se diferenciar perante a tribo das meninas de 12 anos. Isso porque seu alvo são as mais “fashion” e as mais bonitas adolescentes.

É uma tribo que não tem muito assunto para falar na escola. Então, a Mismatch comercializa 133 modelos de meias, sendo que, num par, um pé não é igual ao outro. Agora, as meninas têm assunto: “Quer ver minha meia?”, e assim a ideia se espalha na tribo, sem precisar de comercial de TV.

Espirituoso, Godin mostra os próprios tornozelos vestidos com meias coloridas e revela: “Eu também estou usando!” Ele ainda conta que a Mismatch agora vende luvas e outros itens, porque a tribo pede. “A ideia hoje é fazer o que os consumidores querem, e não tentar fazer clientes para seu produto.”

Fazendo arte para diferenciar

Para Godin, fazer arte é não seguir um mapa, nem mesmo depender de chefe ou obedecer o manual de como ser bem-sucedido no século 20. Criar com arte é tentar sabendo que há risco de não funcionar. É fazendo arte que se obtém a permissão das pessoas e se mantém a tribo viva.

“Ainda mandamos as pessoas para a escola para que façam o que lhes mandam e se encaixem e adaptem no sistema. Colocamos 30 pessoas em uma sala de aula e fazemos com que entrem em conformidade”, critica Godin.

Ele ainda comenta que, quando esses jovens saem da escola e vão trabalhar, nós entregamos um mapa do sucesso e, portanto, há muitas pessoas hoje que podem ser substituídas. “Não há por quê pagar mais por uma competência que é um commodity”.

Henri Ford, por exemplo, pagava mais para obter a conformidade dos trabalhadores ao seu sistema produtivo. Hoje, a atendente de um drive-thru da Califórnia, aquela para quem fazemos o pedido no microfone, sequer está no mesmo estado, falando com você via satélite.

“Mimado pela internet, o consumidor sabe quem vende mais barato e quais produtos são mais ou menos iguais, feitos para a média. Por isso, fazer rápido e barato já não é suficiente. É preciso fazer o novo, por prazer da troca com as demais pessoas e não simplesmente pelo dinheiro. Isso é arte”, conclui Seth Godin.

Portal HSM
28/09/2011

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