Qual é o segredo da família Beretta?

O case da fabricante de armas Beretta, que está há quase 500 anos no mercado e na 15ª geração, ganha destaque durante o Special Management Program HSM Family Business. Confira.
John Ward, palestrante do Special Management Program HSM Family Business, realizado nos dias 11 e 12 de maio, apresentou aos participantes do evento o caso da empresa Beretta, que nasceu em uma pequena cidade do norte da Itália e hoje está presente em 17 países, produzindo mais de 600 mil armas por ano. Qual é o segredo para uma empresa familiar chegar a quase 500 anos de existência?
A partir desta pergunta de John Ward, os participantes sugeriram algumas conclusões a partir da leitura que fizeram. Um dos comentários mostrou que a família Beretta realmente acredita nos valores e produtos que têm. Eles estão presos nas raízes da companhia, mas tem o olhar também no futuro. Este é o processo na natureza de um negócio de sucesso.
Um outro participante também pontua que os Beretttas mantiveram a tradição da família. Ficaram no lugar, mantendo, acima de tudo, a união da família. Mas unindo a tecnologia aos artesãos, que faziam o diferencial do produto.
A principal característica sinalizada no debate foi a importância da continuidade da cultura familiar aliada ao desenvolvimento e inovação. A tradição não segura a empresa no passado, mas motiva e impulsiona para que ela não pare de crescer e evoluir. John Ward destaca: “Tradição e mudança; passado e futuro. Um olho no passado com um pé no futuro. Isso me impactou muito quando conheci o caso. A vivência com esses paradoxos foi positiva neste caso.”
Um dos orgulhos da empresa é que eles estão na mesma cidade, com a mesma comunidade e trabalhando com os mesmos artesãos, mas isso não impediu o crescimento. Um dos participantes destacou essa questão dizendo que o impressionante foi a capacidade de conhecimento dos mercados e a possibilidade de expansão dos Berettas. Isso mostrou que não era apenas uma empresa local. A visão não era restrita. Eles sempre priorizaram isso e fizeram muito bem.
Essa percepção ampliada da economia e do mercado, bem como o acompanhamento da evolução do setor fez com que a Beretta não se intimidasse diante dos desafios. O foco inicial da produção de armas estava ligado à caça, mas eles perceberam que o mundo estava mudando, então investiram no mercado militar americano, além de ampliar o negócio para acessórios esportivos.
Falando ainda sobre paradoxos, John destaca algumas lições que podem ficar a partir da análise do caminho percorrido pela Beretta. “Viver paradoxos significa tensão. É uma sensação desconfortável, mas isso cria energia e inquietude, a possibilidade de ter novas ideias e novas informações.” Para ele, passar por esses momentos de dificuldades podem estimular a ver além do óbvio: “Se resolvemos rapidamente um problema temos a clareza e a certeza, mas nunca enxergamos as oportunidades. Nunca vemos além”, sinaliza.
Com base em seus anos de experiência, John Ward diz que não é tão raro encontrar empresas familiares que vivem em constante conflito de paradoxos. “Muitas vezes é parte da cultura deles. Algumas companhias educam seus funcionários a partir de paradoxo.” A expectativa para participar ativamente da companhia é natural e cada membro da família tem a oportunidade de expressar seus desejos e anseios individuais, ou seja, todos se sentem à vontade fazendo parte de um grupo tão grande mas, ao mesmo tempo, tão pessoal.
Acompanhe a cobertura completa do Special Management Program HSM Family Business.
Portal HSM
11/05/2011

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