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Planejamento estratégico com sobrenome

Crescimento das empresas familiares está diretamente ligado à avaliação e à coerência dos interesses do negócio por si só. Isso vale tanto para a família como proprietária da empresa quanto para da família em si. Leia a primeira parte da palestra de George Stalk.

Toda e qualquer forma de crescimento nas empresas familiares passa por uma definição clara da estratégia de negócios. Essa pode ser a frase que resume a palestra do expert em estratégia corporativa e vice-presidente do The Boston Consulting Group, George Stalk.

De maneira bastante convicta, Stalk alerta para a necessidade de fazer essa definição e a avaliação da empresa como um todo o quanto antes, já que, com o passar do tempo, a tarefa fica muito mais difícil, não apenas por fatores internos da empresa como também pelos externos, como as crises e instabilidades mundiais.

Para entender o raciocínio do especialista, é preciso dividir uma empresa familiar em três esferas de interesse que, ao mesmo tempo em que estão intimamente ligadas, podem apresentar conflitos complicados: há a esfera dos interesses da família como família, a da empresa como um negócio e a da família como proprietária dessa empresa.

Todas precisam girar em torno de uma missão e uma estratégia em comum para ter sucesso.

Uma das primeiras etapas para um planejamento estratégico é definir em que circunstâncias uma empresa familiar pode ser mais competitiva do que uma de capital aberto. Stalk as enumera:

- a missão de excelência e ética em controles familiares é mais intensa;

- há mais lealdade entre as partes envolvidas (funcionários, clientes e proprietários);

- é mais fácil identificar orgulho, persistência e comprometimento;

- há mais estabilidade no grupo de controle da empresa;

- trabalha com uma perspectiva mais paciente e com capacidade para pensar a longo prazo;

- usa dinheiro e recursos de modo mais inteligente;

- tem oportunidade de transformar um negócio com maior facilidade e rapidez.

Os pontos negativos também devem entrar na avaliação inicial e são tão ou mais importantes que os positivos:

- mania de controle absoluto sobre a empresa;

- fidelidade excessiva a locais, tecnologias e produtos;

- conflitos destrutivos na família, além do medo desses possíveis conflitos;

- dificuldade em buscar e reter talentos de fora do círculo familiar;

- longos mandatos de liderança, às vezes difíceis de mudar;

- indecisão ou estagnação estratégica.

Cenários variados

Isso avaliado, é preciso que a empresa observe seus pontos fortes e entenda qual é o tipo de estratégia que mais combina com o estilo e o perfil das três esferas de interesses. Stalk citou três exemplos de empresas familiares, duas que decidiram por um grande crescimento e outra que preferiu um crescimento moderado, mais adequado à filosofia da família, e as três estão se saindo bem.

A que buscou uma expansão menos agressiva foi a loja de roupas Mitchells, de Westport, no estado de Connecticut, Estados Unidos. A filosofia da empresa é também o título de um dos livros escritos por seu fundador, Jack Mitchell: Hold Your Costumer.  Ele prega o atendimento pessoal e estabeleceu como objetivo fazer da Mitchells a melhor loja de roupas masculinas local.

A expansão do negócio se deteve na região, já que os familiares não tinham intenção de se mudar e, assim, é mais fácil fazer com que todos os funcionários também se sintam parte da família. “Nosso comprometimento é com o atendimento e qualidade; por isso, temos reuniões de família e com o conselho consultivo uma vez por semana”, conta Mitchell em um vídeo.

O palestrante comenta que, mais do que pensar se ele está certo ou não, é preciso observar sua convicção em suas atitudes e filosofias.

Já no caso da Thomsom-Reuters, empresa canadense do ramo de imprensa, e com a Baker Concrete, do ramo de concreto e construção, a ideia de expansão é mais agressiva, com a compra de outros negócios e a abertura parcial de capital (caso da Reuters) e o investimento em tecnologias exclusivas (caso da Baker).

De acordo com Stalk, fazer o planejamento estratégico está cada vez mais difícil, pois envolve, além de todas as questões próprias da gestão familiar, as questões ambientais e de tecnologia, como a largura de banda infinita ou a urbanização. “Claro que ocorrerão erros.

A maioria das empresas que entrevistamos nos últimos tempos fala sobre incertezas. Nesse cenário, a empresa familiar precisa se adaptar e tomar decisões mais rápidas”, explica. A boa nova, que o palestrante deixou para o final de seu discurso, é dizer que o menor comprometimento com lucros rápidos pode ser a grande carta na manga para esse tipo de negócio: sem acionistas cobrando dividendos no curto prazo, pode-se planejar um crescimento mais estruturado em detrimento do lucro.

HSM Online
19/09/2009

Leia mais: A lição japonesa e as vantagens das pequenas e médias empresas.

Veja a cobertura completa do Fórum Mundial de Gestão e Empresas Familiares 2009

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Comentários

Achei interessante.
achei interessante
artigo ideal para entender como fazer um planejamento estrategico para empresas familiares.
Sendo eu um executivo, o que eu faço fora do trabalho não interessa a ninguém, é exclusivamente um assunto de foro íntimo, pois não carrego o crachá da empresa nos lugares que frequento.
Realmente muito interessante. Passei por situação semelhante, onde o lucro era baixo e não era o objetivo principal do negócio.Abraços
Importante definir a estratégia para o bom fucnionamento da empresa.
Artigo bem interessante, esse tipo de intercambio de informações é muitissímo valido principalmente para a visão e a priore do quesito estagnação. O principal fator a ser analisado é a questão do maleficio que o convivio familiar traz aos negocios, das duas uma:uma empresa familiar tende a ser uma empresa menos humanitaria pelo sentido da liberdade de expressão por se tratarem de familiares, o que gera os conflitos e ou estagnação por não se querer entrar em atrito nem tampouco a transpassar a linha tenue entre o que se é profissional e pessoal ( caso das empresas agressivas ) .Ou em sua outra face, um negocio limitado com poucos avanços no que se refere a expansão por não se querer tornar uma empresa de capital aberto visando um conforto em seu convivio familiar, o que é pouco compensativo, ou se expande e divide a fatia do bolo com o mercado externo, ou se fica literalmente privada a familia, a lucratividade e tudo que se envolva essa linha de negocios de cunho frágil. Independentemente da estrutura dessas empresas o foco é sempre o meio termo entre convivio e lucro o que sempre é complicado, mais tem de ser feito.

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