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Não deixe para mudar aos 45 do segundo tempo

Olhar o inesperado acontecer é deixar sua vida nas mãos da sorte e sabemos que nada cai do céu. Ir traçando dia após dia seu futuro permitirá alcançar os sonhos desejados

Quando conheci a coach Mariella Gallo, 39 anos, fiquei admirado com sua ousadia e força de vontade. Há quatro anos, ela decidiu largar uma carreira sólida – com passagens por grandes empresas como Monsanto, Arcor e Agfa Photos – para colocar em prática seu plano B. Sua meta era chegar aos 45 bem financeiramente e ter uma estabilidade profissional que sabia ser difícil alcançar se permanecesse no mundo corporativo.

“Quando olhava para muitos colegas que eram descartados, pensava: Será que vou durar mais dois ou cincos anos aqui?”, disse-me. Ávida por atingir outro patamar do que o conquistado até ali, percebeu que talvez não concretizasse seus objetivos se continuasse do jeito que estava. Entendeu que o futuro estava em suas mãos e foi, então, que partiu para um negócio próprio.

Dinheiro não era problema. Desde cedo se acostumou a guardar dinheiro, cultura herdada dos pais uruguaios, que ao desembarcarem no Brasil anos atrás sabiam que não teriam direito a aposentadoria do Governo. Com uma boa poupança em mãos, alçou voo solo. Até que no meio do caminho descobriu que tinha outra vocação: ouvir os dilemas e anseios das pessoas.

Não deu outra, refez a trilha de seu destino e hoje, além de dar aulas de MBA, atua como coach. “Confesso que foi uma opção difícil. Nas duas situações, mudar de rota provocou aquela sensação de friozinho na barriga”, revelou-me Mariella. Mesmo diante das incertezas, ela reconhece que só quem desbrava o mundo de peito aberto enxerga as oportunidades. Assim, ela pode encontrar sua identidade e descobrir sua verdadeira paixão. É feliz com o que faz. 

Sabemos que mudar não é algo tão fácil assim. O ser humano se acostumou ao comodismo e não foi preparado para começar tudo do zero, sobretudo quando se está com mais de 40 anos. Há alguns meses escrevi um post falando sobre essa questão de mudar e a repercussão foi tanta, que resolvi fazer um artigo. No livro “O Melhor Vem Depois” falo sobre a importância de planejar o futuro, outro ponto ignorado pelas pessoas. O brasileiro, aliás, não pensa no que virá, só vive o aqui e agora. Um grande erro.

Assim como Mariella, milhares de pessoas têm sinais de que seu prazo de validade no mundo corporativo ou em atividades nas quais estão envolvidas vai acabar (em muitos casos, já acabou). O problema é que ficam inertes, preferem a posição de defesa, rezam para que nada aconteça e os tire da zona de conforto. Até que o dia “D” chega, o desespero bate à porta. O que fazer?

Infelizmente, ficar olhando o inesperado acontecer é deixar sua vida nas mãos da sorte e sabemos que nada cai do céu. Ir traçando dia após dia seu futuro não só garante que o infortúnio não o atinja, como permitirá alcançar os sonhos desejados. Mas para isso, talvez seja necessário mudar de rota no meio do caminho. Quem fica atento aos sinais que a vida dá, certamente conseguirá trilhar um rumo diferente na hora certa.

É simples assim? Claro que não. Outro dia Mariella me confessou que uma proposta para atuar em consultoria a tinha deixado balançada. Sua luta diária em carreira solo não é fácil, quase não sobra tempo para a vida pessoal entre as sessões de coaching de seus clientes e as aulas de MBA. Mas ela também sabe que o destino está em suas mãos e talvez a volta para o mundo corporativo dure no máximo mais cinco anos – quando estará com quase 45 -  idade que estabeleceu como meta chegar bem resolvida.

Da mesma forma que dali em diante, talvez se veja sem perspectivas futuras e refém das empresas. “Se aceitar o convite, voltarei a não ser a senhora do meu destino e esperar ser descartada a qualquer momento”, desabafou Mariella. De fato, uma decisão nada fácil. No entanto, precisamos aprender que a vida nos cobra todos os momentos, seja uma mudança de emprego ou o simples trajeto diário para o trabalho.

Algumas vezes acertamos, outras erramos. Não há como escapar. O que importa é ter a sensação de que as ações necessárias foram tomadas. Só não deixe para os 45 do segundo tempo. Você pode não sobreviver antes do apito final. Planeje agora sua vida e tenha um futuro de sucesso.

Por Julio Sergio Cardozo (CEO da Julio Sergio Cardozo & Associados e professor livre docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Website: http://www.cardozo-group.com/. Twitter: http://Twitter.com/juliocardozo)

HSM Online
22/04/2010

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por: Júlio Sérgio Cardozo
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Comentários

O artigo Nao deixe parea mudar aos 45 do segundo tempo é perfeito, acredito que muitos estão nessa condição, o medo de trocar o fixo (registro) por algo autonomo, onde deverá montar sua própria clientela....Mas o resultado deve ser recompensador quando consegue atingir o objetivo estabelecido.Quem sabe era isso que faltava para me encentivar a seguir meu próprio caminho e deixar esse convivio corporativo de mais de 3 décadas em uma unica empresa.AbraçosRosária Mansanorosariamansano@yahoo.com.br
Excelente artigo, mas cuidado , faço a sugestão de alterar o 45 minutos por outro número. Você pode ser acusado de fazer "propaganda subliminar" do Serra! Abraços
Realmente não fomos acostumados a pensar no futuro. Aliás, o brasileiro mal sabia o que seria o amanhã em meio às incertezas de uma economia com inflação galopante. Mas a realidade é que precisamos acordar antes que seja tarde. Maravilhoso artigo Julio.Abs,Aline
Rosaria, o medo do novo é inerente ao gênero humano, ocorre sempre que estamos diante de uma decisão que poderia mudar o destino. Coragem, análise dos fatos, visão e paciência são as ferramentas do processo de decisão. Alerta: não há fórmula mágica, nem solução que funcionem bem para todos os gosos e jeitos. Abraços.
Que comentário espirituoso sugerindo a mudança do título do artigo. Vamos considerar para o segundo turno!!!! Valeu!
Aline, você tem razão. Quando estava pesquisando material para o livro que escrevi com a jornalista Giardino sobre planejamento de vida, me deparei com situações patéticas de pessoas muito bem posicionadas na vida, líderes de grandes empresas que, simplesmente, não tinham a menor ideia do que fazer no pós-carreira. Um fenômeno, especialmente considerando que a vida biológica está cada vez mais longa, ao passo que a vida corporativa está cada vez mais curta.
Bom Artigo. Mas tenho uma observação sobre ele. É preciso que a pessoa saiba em seu íntimo o que quer verdadeiramente. O objetivo precisa ser definido. Se deve existir uma mudança de rumo, é preciso analisar de forma consciente qual será o novo destino e traçar um P.E pessoal sobre sua nova realidade de vida. Assim como alguém partiu para uma carreira de coach, outros podem optar por se dedicar exclusivamente à carreira de ensino ou ser unicamente consultor, não importa. É preciso existir a percepção de que voar para outro lugar será divertido e gratificante. Acho que é o que pode acontecer com a maioria das pessoas que é a falta de definição sobre o que fazer após anos se dedicando a fazer crescer o negócio dos outros. Talvez utilizando alguns conceitos existentes na disciplina de Planejamento Estratégico orientado para pessoas, possamos ajudar a criar estímulos para que novos objetivos sejam encontrados no íntimo de cada um. Um coach talvez seja alguém ideal para ajudar a encontrar essas respostas. Não sei se já foi realizado algum artigo sobre o assunto, mas um bom livro que talvez ajude as pessoas a encontrar algumas respostas seja 8º Hábito Da Eficácia à Grandeza.Alguém já ouviu falar de que o hábito é aquilo que fazemos repetidamente? Pois então. O Sr. Aristóteles, autor da frase, assim dizia e talvez seja esse um dos motivos para as pessoas terem tantas dificuldades em abandonar seus paradigmas atuais.E acredito que nunca será tarde para mudar (mesmo que aos 45 não deixando chegar aos 46) contanto que saibamos como planejar nossas vidas e evidente, nos acostumarmos a isso.
Planejar é a palavra-chave. Sem isso não dá para recuperar aos 45 do segundo tempo. A vida é implacável se não ficarmos atentos. Conheço muita gente que só se mexeu quando era tarde demais. E aí, realmente não tem jeito, você se vê sem opção.
Marcos André, você tem razão ao sugerir a utilização de metodologias normalmente empregadas nos planejamentos estratégicos das empresas e para fins militares. Usamos, em nossa consultoria de carreiras, metodologia proprietária baseada justamente em tais conceitos com razoável taxa de sucesso.
Andrea, ficamos muito tristes quando somos procurados por pessoas com mais de 65 anos que não se planejaram para o pós-carreira e para a longevidade.Em muitos casos, lamentavelmente, não há muito o que fazer. Qual o momento certo para se preparar? O mais cedo possível, preferencialmente quando se está iniciando a carreira. Pode parecer exagero, mas garanto que funciona.
Até dá para mudar aos 45 do segundo tempo, quando se sabe que haverá mais uns minutos, dos descontos, ou que haverá prorrogação.Mesmo assim é um risco muito alto, além de muito caro.Mas sempre é possível mudar. E o primeiro sinal normalmente é a insatisfação.Seja com os fatos atuais, seja com as perspectivas, se é que assim se pode chamar a dúvida em relação às possibilidades futuras. Às vezes temos hoje uma conjunção de fatores que nos permitem antever um futuro não muito agradável.Essa é a hora da mudança.Ou redireciona a carreira, ou agrega valor, ou revoluciona. É claro que há um custo envolvido, que a maioria dos profissionais não aceita pagar. E na maioria das vezes, também, não percebem que ao evitar as mudanças necessárias, "dão sopa para o azar", e quando vão tentar uma correção de rumos já é tarde demais. E aí vão viver no "mundo do quase": quase consegui uma promoção, quase consegui não ser demitido, quase passei no concurso, quase alcancei o sucesso ...E então vão procurar um coaching, mas esperando um milagre!Já passei por isso, em várias vertentes, e confesso que tomando iniciativa ou deixando que decidam por nós, o preço é o mesmo.Mas tomar a iniciativa compensa muito mais!
Almir, costumo dizer que não é sensato terceirizar o nosso futuro. Se acreditarmos que temos o comando das nossas ações fica mais fácil delinear o futuro. Quanto mais cedo, melhor.
Achei a matéria de excelente conteúdo!!!É comum em ambientes corporativos, o fato de interagirmos com profissionais insatisfeitos com sua posição de estagnação profissional, mas não tomam nenhuma atitude.A pergunta é: O que você tem feito para mudar isso?
Sergio, ao ler a matéria me vi diante desta situação, não me preparei adequadamente hoje com 52 anos 16 de carreira na área comercial de representações , estou prestes a tomar uma rasteira e realmente estou com muito dificuldade na decisão que embora saiba qual deve ser .Pessoas dizem para ter calma que a situação pode mudar, é como disse disse a Andrea pessoas que se mexeram tarde demais é realmente complicado. Excelente artigo, realmente é o que faltava para minha decisão.Grande abraços a todos vocês

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