Mimi Ito: Diversão e utilidade em ambiente mobile
Matar o tempo, explorar e estimular a lealdade, respeitando os princípios do mobile design, são os três aspectos do espaço móvel que Mimi Ito abordou na parte final de sua palestra. Confira.
As pessoas já acessam as mídias sociais mais pelos celulares do que pelos computadores pessoais. Um dos motivos para isso é a necessidade de passar o tempo. Mas o conteúdo entregue ao celular deve ser bem diferente do conteúdo criado para computador, até pelo tamanho reduzido do display.
“Matar o tempo com a ajuda de um telefone móvel não é como sentar no sofá e ver TV”, diz Mimi Ito, dando continuidade à sua palestra e abordando a terceira faceta do ambiente mobile: “matar o tempo”, após ter explicado os aspectos de conexão social e de registro de dados.
Ito recorda-se do fenômeno que testemunhou em 2006-2007 no Japão, da novela escrita e distribuída por celular. “Embora esse formato já tenha sido substituído pelo Kindle, iPad e outros formatos de mídia eletrônica, o sucesso do romance por celular é indicador de como todos nós vamos ler daqui a dez anos: por etapas”, avalia a antropóloga. Nos Estados Unidos, o fenômeno se deu por meio do microblog Twitter sinalizando novas formas de escrever ficção.
Uma das plataformas de blogging que mais cresce no brasil é a Ameba, onde o conteúdo não é mais gerado só pelo usuário, mas também pela mídia profissional e pelas empresas. Tanto as marcas como as celebridades que estão presentes no Ameba parecem, ao usuário, mais íntimas, pois estão em seu espaço pessoal.
Mobile para exploração e fidelização
Ito observa que estamos assistindo à redução da receita com anúncios e ao aumento da receita com serviços que abrangem o envolvimento direto com o usuário, que espera receber bens virtuais premium.
O aspecto de exploração do mobile é bem representado pelos serviços baseados em localização, como o TabeLog. Por meio dele, o usuário cadastrado recebe cupons para usar em lojas e restaurantes, por exemplo, e é avisado em seu celular sobre os atrativos do varejo na região em que se encontra. Groupon, Lyar e Google’s Favorite
Places também são exemplos de serviços prestados de acordo com a localização do usuário.
Já o site Consumer Report permite que o usuário escaneie o código de barras de um produto e envie para a revista com seus comentários. Por meio do código de barras, os consumidores também já podem pesquisar as melhores ofertas e preços em sua região, bem como saber sobre os aspectos de sustentabilidade do processo produtivo em questão.
O constante acesso à informação, agora baseada na nuvem, leva ao último aspecto enfocado pela palestrante, que é a lealdade. Os cartões de fidelidade ganharam versão móvel. O Foursquare, por exemplo, permite que se apliquem incentivos mais personalizados. “Não se trata de dar 20% de desconto para todos, como num supermercado, mas de atingir o comportamento pessoal, como distribuir incentivos para clientes novos ou para os mais fiéis.”
Princípios do mobile design
A ação de uma empresa no espaço móvel tem de ser fragmentada e repetida frequentemente, mas “não se trata de irritar as pessoas com insistência, nem de obrigá-las a assitir a um vídeo antes de chegarem aonde desejam, mas de disponibilizar conteúdo de fácil acesso”. No mundo mobile, é preciso ser aberto, saber ouvir, ser transparente e adaptar-se facilmente.
O mobile design deve basear-se em segurança, não-imersão, interação just in time, facilidade de acesso e comunicação direcionada. As empresas que desejem fazer bom uso do sistema devem apoiar o compartilhamento social, ligar o físico ao online, oferecer muitas experiências curtas e realizar a narrowcast (difusão seletiva).
“A maior lição é que é preciso dar mais controle ao cliente, que decidirá quando e como quer se envolver com sua marca. Se você for proativo e abordar o espaço móvel com o coração aberto, obterá sinergia cada vez maior entre seus objetivos de negócios e os do novo consumidor”, profetizou Ito, ao encerrar sua apresentação.
Portal HSM
27/09/2011
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