HSM

As lições sobre liderança da “Copa Jabulani”

Esta Copa tem sido pobre em futebol, mas bastante rica em lições sobre Liderança. Convido cada um de vocês a assistir os próximos jogos com o olhar que vá além do meramente futebolístico. São várias as lições sobre os diferentes estilos do exercício da liderança.

O técnico da seleção brasileira, o Dunga, fez uma clara opção pela força do conjunto, preterindo a convocação de alguns craques que nos últimos meses tiveram performances bem superiores a alguns dos convocados. Alegou estrelismo e imaturidade, preferindo jogadores disciplinados, adestrados e cumpridores de ordens. Deixou de fora alguns mais talentosos, a criatividade e a imprevisibilidade. Tenho receio que se o time dele não ganhar a Copa, o jargão corporativo passe a usar a expressão “time de dungas” para descrever equipes sem brilho, formada por gente esforçada, mas que não consegue entregar resultados surpreendentes.

Quando assisti ao jogador santista Ganso, recusar-se a sair substituído como definido pelo seu técnico, naquele jogo semanas antes da convocação, intui que ele jamais seria elencado por Dunga. Naquele momento ele perdeu a chance. A “atitude ganso” é incompatível com a “personalidade dunga”. O mau-humor crônico do técnico – flagrado insultando jornalistas e críticos com palavras rasteiras - é também incompatível com o que poderíamos chamar de “espontaneidade Neymar” ou com a irreverência de outros.

Já a orgulhosa França, campeã em 1998 e vice-campeã em 2006, tornou pública a sua pior crise em histórias dos mundiais. Apresentou um severo racha no grupo: o jogador Anelka foi desligado, jogadores se rebelaram e se recusaram a treinar, o preparador físico Duverne ameaçou agredir o lateral esquerdo Evra, o chefe da delegação Valetin pediu demissão e voltou antes do terceiro jogo, o time foi desclassificado, o técnico Domenech se recusando a cumprimentar ao brasileiro Parreira e o presidente Sarkozy intervindo para tentar salvar a “honra francesa”. Um vexame!

Bom refletir um pouco sobre o impacto dessas atitudes da delegação francesa nas suas marcas patrocinadoras como Carrefour, a companhia telefônica SFR, o grupo de energia GDF e o banco Credit Agricole que começaram a abandonar a seleção. Apenas a Adidas manteve seu logotipo no uniforme da seleção francesa antes do terceiro jogo. Outro vexame!

Com líderes assim, os times nem precisam de adversários, como já aconteceu com a França que derrotou a si própria. Parece até que Dunga e Domenech andam disputanto uma copa pessoal, em busca do “Troféu Limão”. Também acho oportuno analisarmos o papel da Jabulani, pois percebo a bola oficial dos jogos como o álibi perfeito para os líderes que não costumam assumir responsabilidades pelas suas decisões e competências. Já vimos reclamações contra o campo, a chuva, o frio, a altitude, o juiz, a torcida, o “despacho”, a zebra, a “Mão de Deus”. É a primeira vez que ouço reclamações sobre a bola. Como se ela fosse ser utilizada por apenas um time. Se ela é diferente, mais leve, etc, ela o é para todas as equipes, que tiveram bastante tempo para se adaptar, treinar e usá-la.

Faço essas considerações devido a um hábito bastante comum: o de buscar desculpas e justificativas para nossa incapacidade de fazer o que tem de ser feito. Muito mais fácil atribuir a fatores externos a causa dos nossos problemas, dificuldades e incompetência de atingir objetivos, do que assumirmos essa responsabilidade como algo dentro de cada um de nós. Há alguns meses fiz uma pesquisa com empresas e pessoas físicas sobre os motivos pelos quais não conseguiam atingir seus objetivos empresariais ou realizar seus sonhos de carreira. Fiquei surpreso quando vi que cerca de 92% atribuíam a culpa a concorrentes, a taxa de juros, a tecnologia, ao mercado, ao custo do capital, ao governo.

Considero que o maior concorrente de uma empresa não é quem fabrica os mesmos produtos ou presta os mesmos serviços. O maior concorrente muitas vezes está dentro de casa: falta de objetivos claros, liderança ineficaz, falta de integração entre as diversas áreas, falta de inovação, atitudes como falta de iniciativa, foco e otimismo, além do relacionamento inadequado com canais distribuidores, atendimento ruim a clientes etc. Mas é muito mais fácil encontrar “jabulanis” como causa dos nossos problemas e ineficiências. A sua empresa já tem uma boa “jabulani” para explicar o não atingimento dos resultados desejados para 2010?

César Souza (Presidente da Empreenda, empresa de consultoria em estratégia, marketing e recursos humanos, além de autor e palestrante)

HSM Online
24/06/2010
 
Leia também outros artigos deste colunista

por: Cesar Souza
Sem votos

Comentários

ls3UD9 , [url=http://gzeyswmlxqaw.com/]gzeyswmlxqaw[/url], [link=http://dfkkzalvtspu.com/]dfkkzalvtspu[/link], http://fwtodnykuyct.com/

tuxlHl iiqaznakxtsh

eNSNI3 , [url=http://yjbrjjanaszi.com/]yjbrjjanaszi[/url], [link=http://buszdnriyhwi.com/]buszdnriyhwi[/link], http://dridyvdqltdg.com/

zDOnQB lwbckpqhhmpi

Yup, that'll do it. You have my apprecaition.

E se o Dunga ganhar a copa um novo termo corporativo será criado: o VuvuzelaQue desde já pode ser encontrado em pessoas que escrevem como se conhecessem a formula para a liderança ideal e sem perceber estão sendo tão quadradas quanto o alvo de suas críticas.
Achei parcial e deselegante essa matéria, está mais parecendo algum psedo técnico de futebol tentando atacar o treinador da seleção, do que alguém que realmente queira avaliar o mundo corporativo. E só para completar, existem em todas as partes muitos "talentos" que aparecem muito sozinhos, mas não trazem resultados em grupos.
Respeito a opinião de todos. O jogo contra Portugal que ocorreu dia 25, após os 2 comentarios publicados dia 24, deve ter provocado uma reflexão mais sensata de todos. Acredito que o verdaderio lider educa pelo exemplo como ensina o personagem do Nelson Mandela no belo filme Invictus, que sugiro que todos asssitam. Cada um se inspira no exemplo de lider que merece. Prefiro a inspiração do Mandela ou a do João Saldanha ou do Zagalo que a do Dunga. Mas respeito quem prefere o exemplo do Dunga. Adriana, concordo que em algumas equipes tem estrelas que nada constróem para o coletivo. Ter conjunto com alguns craques é que faz a diferença. time só de estrelas não ganah jogo. Time paseurizado com conjunto e sem criatividade que só os craques que desequilibram posssuem, tambem não ganha campeonato. Agora ter um meio campo formado por Josué, Julio Batista, Ramirez e Daniel é dificil brilhar e fazer gols. Senti falta do Ganso e até mesmo da Marta, acho que ela seria melhor que muitos dos convocados pelo Dunga. Ele poderia ter ousado nisso: convocado uma mulher craque e fazer a diferença, em vez dessa previsibilidade de cada jogada sem criatividade que temos assistido. A melhor jogada até agora foi aquela com o braço no gol de Luis Fabiano, lembra? Já pensou se fosse num gol do adversario contra nós? Adoro ser provocado a pensar "fora da caixa".
Bom dia. Nos próximos comentários pedimos para que o leitor se identifique, por favor, evitando o anonimato.
Bom dia. Nos próximos comentários pedimos para que o leitor se identifique, por favor, evitando o anonimato.
Bem interessante, nos faz refletir muito no mundo corporativo! Eu também já tinha observado esses pontos de uma forma bem semelhante, gostei de encontrar alguém que compartilha de meus pensamentos sobre essa Copa. Cesar, eu o convido a visitar meu blog http://fgodoy.com, e dar sua opinião em meu último artigo sobre evolução colaborativa. Abs.
Gostaria de sugerir um complemento ao artigo. Tivemos a decepção de ver a seleção brasileira ser desclassificada novamente, e aí fica uma lição a ser aprendida: "Lideres também falham"; mas a sua postura diante dessas falhas é o que pode identificá-lo como um verdadeiro líder. Achei que não foi o melhor exemplo de liderança o técnico Dunga sair de campo antes de todos os jogadores assim que foi dado o final da partida. Vimos outras seleções serem eliminadas antes da nossa e a postura dos seus respectivos técnico foi muito mais amável com os seus jogadores do que a do técnico Dunga. Comparações à parte, podemos olhar a postura do técnico da nossa rival histórica Argentina em comparação com o nosso Dunga.Fica uma sugestão para um artigo sobre quando as lideranças falham...

Comentar

O conteúdo deste campo é privado e não será exibido ao público.

Opine!