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Lessig: Sem direitos reservados

Para o especialista, é preciso uma nova visão da propriedade intelectual em um mundo virtual

 

O professor de Direito na Harvard Law School abriu Lawrence Lessig abriu sua palestra afirmando que as pessoas participam da criação e recriação de diversas formas e aplicando diferentes culturas e a criatividade é consumida, mas o consumidor não é o seu criador.

A história da cultura humana e o processo criativo nunca foi tão deslocado por conta da tecnologia e tem feito com que as pessoas consumam novas ideias de maneira passiva. Entretanto, ela tem se transformado em “uma cultura para ouvir e olhar, mas não para criar”, como afirm Lessig.

Ele explica que o século vinte foi o único no qual a criatividade de ler e escrever foi deslocada para a de apenas leitura. E questionou: como falar com as pessoas nesta nova era? Como se comunicar? Como se conectar? Como persuadir os outros de que o seu negócio, produto ou serviço deve ser consumido pelos outros?

Etapas de Desenvolvimento

Para Lessig, só existe um caminho que leva a essas respostas: através de tecnologias que enfatizam o controle da transmissão. E como deve ser a lei nessa nova cultura? Como essa lei pode ajudar a apoiar o controle e maximizar, assegurar e aperfeiçoar a produção desta sociedade leitora?

O professor afirma que no século vinte e um os empresários precisam pensar em três etapas de desenvolvimento que mudaram rapidamente a forma como as pessoas se conectam e disseminam os seus serviços.

“A Apple é um exemplo símbolo desta cultura, desta nova maneira”. Então, a primeira etapa envolve a produção e a distribuição desta cultura. “Em 2004, chegamos na segunda etapa e vimos o começo de um renascer que trouxe como símbolo a Wikipédia, o contexto do remix em termos musicais e animações, nas quais as próprias crianças estão capacitadas a fazer atualmente”.

Lessig explicou que neste contexto, a criatividade é descoberta e refeita. Não é um original. “O remix que fala de uma maneira muito mais poderosa do que qualquer texto não tem nada a ver com a técnica. Ela foi democratizada e qualquer um com acesso a um computador pode falar e fazer isso”.

Para ele, o mais importante nesta evolução é a terceira etapa, que traz o remix de comunidades como um tipo de chamada e resposta, na qual as pessoas remixam e interagem entre si, como o Youtube, onde as pessoas fazem e se imitam o tempo todo, gerando milhões de visualizações.

“Ao invés de cantar no quintal ou no terraço, usam uma nova plataforma tecnológica e produzem e criam de maneira eficiente, propondo uma leitura e uma escrita que permitem reinventar a capacidade de olhar e criar”.

O professor analisa que o século vinte e um faz renascer essa tradição e constrói em cima da cultura que nos envolve. “A chave para reconhecer é como nos comunicarmos com esta nova geração”, afirmou.

O pensador enfatizou que numa cultura de leitura e escrita você tem que usar o mesmo para vender e persuadir, mas você não pode esperar que haja uma cultura como esta. Para ele, o segredo para persuadir e negociar dentro deste novo contexto, é praticar menos controle ao conteúdo produzido, e dar mais liberdade ao público que você tem, ainda que as leis de propriedade impeçam muitas empresas de entrar nesta nova era e falar a linguagem desse novo público.

Portal HSM
24/08/2011

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