Inovação digital: em qual século você está? Parte II
Baseado nos conceitos do Marketing 3.0, quais estratégias
devemos implantar quando em uma empresa familiar, metade dos clientes
adoraria migrar para os mais profundos níveis de modernidade e
tecnologia, enquanto outra parte ainda é fiel aos papéis e antigas
práticas? Enviada por Alyne Benith
Gil Giardelli: Vale
a resposta acima.
Entendo a inovação como conceito de um
novo olhar e ação sobre algo que já existia. Dentre minhas questões a
que segue é uma questão prática que tenho visto muito entre empresas que
contratam um serviço de comunicação e comunicadores. A tecnologia está
cada vez mais a favor da comunicação direta com o usuário, mas as vezes
parece que as equipes responsáveis pela criação de conteúdo ainda não
conseguiram adequar sua linguagem para o meio digital, bombardeando o
usuário com posturas que parecem deslocadas, como spams, tweets de
divulgação insistentes, textos gigantescos etc. Como chegar a um ponto
de equilíbrio entre a vontade do cliente que contrata o comunicador para
divulgar e vender seu produto e os desejos do usuário que vai receber
essa informação? Enviada por meryenn.
Gil Giardelli:
Não podemos usar velhos mapas, para descobrir novas terras! Como você
explanou acima, muitos comunicólogos utilizam de estratégias do passado.
Observe este erro das empresas: Alguém em sua sã consciência,
quando recebe um elogio, sai correndo para contar para outro amigo.
“Você não sabe. Fulano disse que eu sou fantástico”
Este é o Retweet
de elogios das empresas. ;-)
Portanto, nunca neste mundo diplomas
tem data de validade. Acabou seu curso de comunicação, seu diploma já
venceu. ;-)
Em 1993, na Inglaterra, a seguinte frase me causou
espanto: “Precisamos reduzir nossa produção para vivermos melhor.
Produzimos e desperdiçamos muito”. A frase contrariava todas as
tendências do mercado, que apontam sempre em direção ao crescimento (da
produção e dos lucros). Dezessete anos depois, a frase continua atual.
Falamos em sustentabilidade, mas não abrimos mão do crescimento. Talvez
este crescimento tenha nos levado a um grau de produção (e
não-sustentabilidade) que gerou riqueza, mas não necessariamente nos
elevou como seres humanos para uma posição de bem-estar, onde
sentimentos segurança, confiança, realização e - acima de tudo -
felicidade. Como conciliar o bem-estar do ser humano com a busca
competitiva e contínua do lucro pelas empresas?
Os negócios
serão sustentáveis ou não existirão. Cada ação deve ser pensada em três
ângulos: Ambiental, Social e Econômico. É o momento de discutirmos
simbiose industrial, energias renováveis e tecnologias emergentes. A
linha tenue entre “Exceder os limites e esgotar o planeta ou viver em um
planeta sustentável! Enxergue a nova onda ou afogue-se nela! Perceba
que o aumento de apenas 4 graus, significa que a Amazônia será um
deserto.
Calcular nossa pegada ecológica (EF) uma medida do
consumo de recursos naturais renováveis por uma população. O cálculo da
área total da terra produtiva ou do mar exigida para produzir as
colheitas, carne, madeira, energia e fibra que um pais necessita”,
ensinou David Thorpe em recente visita na ESPM a meu convite.
O
Brasil é o 3º país em emissões de gases de efeito estufa. Porém, podemos
nos tornar os líderes nos novos modelos comerciais e nas áreas de
negócio greentech. As companhias serão obrigadas a abraçar modelos
sustentáveis para fazer negócios. Reduzir, Reutilizar, Reparar, Reciclar
e Renovar e pensar nos três Ps - Pessoas, planeta e Profit (lucro). São
os novos mantras deste século. Não é sobre o dinheiro mas sobre a
qualidade de vida! Realização! Você pode se perguntar, o que isso tudo
tem a ver com marketing 3.0? Tudo! Não adianta ser moderno na
comunicação e o mundo não existir para vê-lo! Simples, não?
Seja
um Green Tech! É moderno, simpático, inteligente e salvará o planeta!
Uma lista das tecnologias que vão mudar o mundo do Instituto Gartner que
vão impulsionar a web 3.0, a web das coisas, aponta a computação verde,
comunicações unificadas, implicações multinúcleos, gerenciamento de
metadados, virtualização, computação na nuvem, mashups, servidores em
tecido, internet do mundo real e software social.
Exemplos de
indivíduos inventivos que com pequenas ações mudam o mundo! Depois
reflita o quê você pode fazer para ajudar a construirmos uma economia
inclusive!
Que tipos de negócios engajam consumidores de
games nas redes sociais? Enviada por André Miguel
Gil
Giardelli: Na era do você é o que você compartilha! A nova
moeda do século XXI é a reputação! Baseada em credibilidade e confiança.
Usuários de redes sociais amam essa moeda ;-)
Quais são
os principais questionamentos que uma empresa deve fazer após constatar
que ela realmente precisa aderir ao meio digital? Como entender, treinar
e criar sinergia entre as gerações Z, Y e X?
Enviada
por Raphael Peres Corrêa
Gil Giardelli: a
primeira pergunta foi respondida no contexto das questões acima.
Não
acredito em nomeclaturas de gerações. Ser jovem e digital, nos dias de
hoje não tem nada com idade e sim como você encara as mudanças deste
novo mundo.
São hiatos de gerações. Imagine, você contrata um jovem
profissional, extremamente conectado e engajado e quando ele chega em
seu primeiro dia de trabalho, hierarquias, regras proibindo pensamentos
inventivos, modelos militares e redes bloqueadas.
Enquanto que no
quarto dele, em seu ambiente, ele vive um mundo de compartilhamento.
Provavelmente, ele inovará em outro canto.
Há algumas décadas o
marketing no Brasil tinha grande força na sua disseminação “boca a
boca”, muito fundado em um valor humano fundamental, a confiança baseada
nas relações interpessoais. Tanto é verdade que até hoje encontramos
mercearias e outros comércios em que ainda existe o ilustre caderno para
compras fiadas.
Na atual sociedade que se forma com a
Geração Y, estritamente vinculada à tecnologia e à comunicação virtual,
ausentando-se dos laços sociais, como uma pequena ou média empresa, que
não tenha condições financeiras para investimento em novas formas de
comunicação digital, sobreviverá frente aos grandes concorrentes e as
empresas de grande porte? Vou um pouco mais além, como a comunicação
digital interferirá na desenvolvimento econômico das empresas que não
sejam consideradas as grandes de seus setores?
Enviada
por Eduardo Bittar, Recursos Humanos da Real Moto Peças Ltda
Gil
Giardelli: Sai o maior engolindo o menor, pelo mais lento
ficando para trás. Bem vindo a era do empreendedorismo! A era do
capitalismo social. Da diversidade cultural.
Os Tech inovadores têm
como mantra “O que você está fazendo pode mudar o mundo ou começar uma
nova economia?” É a cultura da geração da generosidade, do movimente-se
primeiro e do corra riscos! Nada novo.
Surpreso? A inovação da
máquina a vapor criou o capitalismo. Um pouco depois entre 1896 e 1930
nasceram 1.800 fabricantes de carros, sobreviveram apenas três empresas e
redesenharam a era industrial! Tanto os inventivos a vapor, como os
fundadores da indústria automobilística tinham o sonho de mudar o mundo!
E
neste momento, no apogeu da democracia das redes sociais, da
inteligência universal e do livre mercado, fundamos a Cyber Humanidade, a
Humanidade 4.0! É o espírito pioneiro se renovando, o mundo como um
vilarejo, a era do supere-se e a era dos inovadores sociais – pessoas
para as quais o outro é um valor em si!
A Geração Y é rotulada como a
geração 2.0 e muito tem se falado de como esta geração irá ou já está
mudando o mundo corporativo e como devemos incorporar esta nova geração
que cresceu ligada a tecnologia e um ambiente onde muitos ainda possuem
dificuldades em acessar a internet (geração baby boomers). Se já estamos
falando do Marketing 3.0, estamos dizendo que a própria geração Y já
está ultrapassada?
“Como convencer as empresas/empresários da
importância do uso da certificação digital em seus processos, antes que
estes sejam “obrigados” por uma força compulsória do Governo, RFB etc?
Precisamos
de empresários magnanimous! Progressistas na era das grandes verdades,
nossa classe empresarial sofre de analfabetismo digital. Não entende o
contexto, quiça “certificação digital”. E a nossa classe dominante de
empresários criou seus negócios na ”ditadura”, portanto só reagem ou
sobre pressão das leis ou das benesses governamentais. Como diria o
poeta Cazuza ”A tua piscina está cheia de ratos, tuas idéias não
correspondem aos fatos! O tempo não para! Eu vejo o futuro repetir o
passado! Vejo um museu de grandes novidades” #prontofalei ;-)
Entendeu
a contracultura digital? Então, não use velhos mapas para descobrir
novas terras!
Inovação digital: em qual século você está? Parte I
Mais sobre Gil Giardelli: CEO da Gaia Creative, onde implementa ações de redes sociais e web colaborativa para empresas como BMW, Hospital Einstein, Mini Cooper, Grupo Cruzeiro do Sul entre outras. Professor de MBA, do CIC (Centro de Inovação e Criatividade) e Pós graduação da ESPM).
Portal HSM
30/11/2010


Comentários
sab, 03/05/2011 - 12:41
Gil , parabéns pela excelente abordagem do tema fazendo empresas e pessoas despertarem para uma nova realidade.Você é esclarecedor e consistente em toda a sua abordagem.Parabéns.
sex, 02/04/2011 - 10:44
adorei o artigo.....
Marcia Capistrano
qua, 01/26/2011 - 10:04
É constrangedor, mas o fato é que as empresas, em sua maioruia absoluta, ainda vive nos tempos da revolução industrial, ou seja, ainda aplica métodos e maios do século XIX, para falar com pessoas do século XXI. Isso foi um trocadilho gráfico visual, porque funciona quando se lê, não quando se fala, a inversão dos algarismos romanos mostra como anda a cabeça dos gestores nestes tempos de revolução digital, completamente atordoada e confusa. E não estamos falando só em atendimento ao cliente, em todos os segmentos das empresas, vemos a criatividade engessada, o organograma vertical, o excesso de papel, quando já deveríamos ter horizontalizado a burocracia interna, criando níveis de responsabilidade, o quê incentiava a inovação, a criatividade e a capacidade de superação. A empresa não é uma grande família, a empresa é um órgão vivo que existe para as pessoas e não o inverso. É isso que a ere digital resgatou, parece anacrônico, mas a web 3.0 trouxe para o centro do palco o indivíduo, o cidadão, o consumidor. Isso deixa os gestores muito atordoados. Chega de ficar olhando para trás, é preciso aprender com o passado, mantendo os olhos voltados para o futuro, porque é para lá que estamos indo.
seg, 01/03/2011 - 18:55
infelizmente,a maioria das empresas não permite que as idéias de seus colaboradores cheguem aosseus decisores,ou por medo,ou por interesses pessoais;vamos insistir e continuar como empreendedores de novas idéias;Eu acredito que o conflito pode gerar inovação,portanto,sejamos perseverantes.
qui, 12/16/2010 - 08:29
muito legal
qui, 12/09/2010 - 05:12
Realmente estamos em uma nova era, numa era em que compartilhar suas idéias, e compartilhar com o próximo nos faz pessoas maiores.
Excelente entrevista. Abraços
sab, 12/04/2010 - 18:55
Achei interessante como boa parte das perguntas sao similares e se completam.
O que eu consegui enxergar eh que ha alguns pontos principais na Inovacao Digital e que conseguimos tracar um paralelo com algo que muitos empresarios, compositores, escritores de diferentes seculos ja praticavam: Dar o exemplo, compartilhar a sua duvida para sair de um certo ponto e criatividade latente.
Nossas acoes e palavras inspiram e influenciam pessoas, assim como a imagem de uma empresa influencia o consumo e gera fidelidade. Empresas como Mercedes Benz sao de fato famosas por fazerem carros de altissima qualidade (aqui no Brasil tambem por serem carros de luxo) e tem a fama de que nao quebram. Andam por 7 anos com a bateria original de fabrica, o que eh prazo respeitavel. Quando ha algum problema a equipe esta apta a resolver da melhor forma possivel revertendo a ma experiencia do seu cliente. Esse tipo de atitude eh padrao em todos os paises o que somente eleva a confiabilidade da marca. A boa reputacao eh inegavel e a margem de descontentamento em um produto ou servico Mercedes eh baixissima. O bom exemplo da marca eh replicado para seus funcionarios de todos os niveis, sendo que eh possivel saber que a preocupacao da alta qualidade em produto e atendimento vem de cima. O exemplo vem de VPs, CEOs, diretores, gerentes...assim influenciando naturalmente os funcionarios. Da mesma forma quando se pretende atuar nesse novo mundo de Inovacao Digital o apoio tem que vir de cima, o bom exemplo e conduta da empresa precisa ser refletido na pessoa responsavel pelas acoes no mundo on line.
Outro ponto que chama a atencao nas perguntas e respostas eh o fato do mundo da inovacao digital ter a tendencia de compartilhar, interagir, participar ativamente e escutar o seu cliente. O escritor da serie de livros As Cronicas de Narnia, Mr. Clive Staples Lewis, participava de um grupo de colegas professores e escritores e em muitas de suas reunioes ele contava partes da historia onde sua inspiracao tinha acabado. Seus colegas colaboravam com ideias, anedotas e perguntas o que contribuia para furar o seu bloqueio mental e continuar a escrever. Conseguimos fazer a analogia com o caso citado na entrevista (o caso do carro da Fiat) em que a empresa abriu as portas para ideias e participacao do publico, agregando valor ao produto, ideias criativas de quem ve o produto de fora como usuario e inovacao no mercado. Esse tipo de acao de compartilhar tambem podemos ver no cenario off line como no caso da empresa de pasta dental que estava tendo prejuizo, pois seu sistema automatizado nao identificava caixas vazias nas esteiras. As caixas so eram percebidas quando ja estavam nos supermercados. A empresa contratou diversos engenheiros para descobrir a falha do sistema automatizado, gastou muito dinheiro e o problema nao era resolvido. Ate que o diretor de qualidade resolveu abrir a questao aos funcionarios da fabrica e conseguiu a solucao! Um operario falou: eh so colocar um ventilador que o vento ira jogar a caixinha vazia no chao. Ideia simples, barata e que so veio porque a questao foi aberta para quem lida com o produto. Este tipo de acao de "postar" algum problema ja eh real e presente no ambiente online, onde num determinado site vc posta o problema da sua empresa e oferece uma recompensa para a melhor solucao. Eh a era do "sharing" chegando nas empresas.
A Criatividade nao eh limitada somente em lancar um produto ou servico novo, ou numa nova forma de divulgacao. Mas ela eh sem limites e deve ser praticada por todos nesse novo mundo que vivemos. Precisamos ter criatividade em como convencer a hierarquia de um empresa que a inclusao da empresa no mundo digital sera benefica e quais os melhores canais, formas e quantidade de informacao, posts ou em que contexto eles estarao inseridos. Devemos ter criatividade em lidar com as diferencas entre geracoes e suas peculiaridades. Devemos ter criatividade para inserir o novo contexto de mundo no velho contexto de empresa, com cartao de ponto, emails e redes sociais bloqueados, horarios pre-estabelcidos, etc.. E precisamos de um tempo de ocio para podermos abrir a mente para entender o que ha de novo do mundo e incitar a nossa criatividade. Domenico de Masi, sociologo italiano, discorreu este assunto em seu livro O Ocio Criativo. e o grande compositor Ludwid van Beethoven fazia longas caminhadas pelo jardim para poder espairecer a mente e conseguir terminas suas obras lindas.
Ou seja, nesse campo tao vasto, rapido, de mudancas que eh dificil de se acompanhar, a criatividade precisa andar lado a lado conosco e para tentar acompanhar estas mudancas precisamos de um tempo para relaxar.
Talvez seja por isso que o mercado brasileiro esteja borbulhando: somos um povo que sabemos relaxar, sabemos compartilhar com os amigos (o famoso boca a boca), sabemos ser criativos (eh so ver um desfile de escola de samba - criatividade personificada em 80minutos de desfile). Somos um povo que esta adotando o mundo digital com facilidade, porem devido ao nosso historico e modelo empresarial e fabril estamos com essas duvidas e incertezas inciais. O trabalho sera duro, mas nao impossivel. A frase " nao use velhos mapas para descobrir novas terras" eh bonita, faz sentido e eh inspiradora. Eu particularmente nao concordo 100%, pois penso que um velho mapa nos da base, um ponta pe inicial, um meio de estrategia, para podermos mudar o cenario, explodir paradigmas e ai sim descobrir novas terras. Podemos aprender com o passado e mudar o futuro.
sab, 12/04/2010 - 18:53
Achei interessante como boa parte das perguntas sao similares e se completam.
O que eu consegui enxergar eh que ha alguns pontos principais na Inovacao Digital e que conseguimos tracar um paralelo com algo que muitos empresarios, compositores, escritores de diferentes seculos ja praticavam: Dar o exemplo, compartilhar a sua duvida para sair de um certo ponto e criatividade latente.
Nossas acoes e palavras inspiram e influenciam pessoas, assim como a imagem de uma empresa influencia o consumo e gera fidelidade. Empresas como Mercedes Benz sao de fato famosas por fazerem carros de altissima qualidade (aqui no Brasil tambem por serem carros de luxo) e tem a fama de que nao quebram. Andam por 7 anos com a bateria original de fabrica, o que eh prazo respeitavel. Quando ha algum problema a equipe esta apta a resolver da melhor forma possivel revertendo a ma experiencia do seu cliente. Esse tipo de atitude eh padrao em todos os paises o que somente eleva a confiabilidade da marca. A boa reputacao eh inegavel e a margem de descontentamento em um produto ou servico Mercedes eh baixissima. O bom exemplo da marca eh replicado para seus funcionarios de todos os niveis, sendo que eh possivel saber que a preocupacao da alta qualidade em produto e atendimento vem de cima. O exemplo vem de VPs, CEOs, diretores, gerentes...assim influenciando naturalmente os funcionarios. Da mesma forma quando se pretende atuar nesse novo mundo de Inovacao Digital o apoio tem que vir de cima, o bom exemplo e conduta da empresa precisa ser refletido na pessoa responsavel pelas acoes no mundo on line.
Outro ponto que chama a atencao nas perguntas e respostas eh o fato do mundo da inovacao digital ter a tendencia de compartilhar, interagir, participar ativamente e escutar o seu cliente. O escritor da serie de livros As Cronicas de Narnia, Mr. Clive Staples Lewis, participava de um grupo de colegas professores e escritores e em muitas de suas reunioes ele contava partes da historia onde sua inspiracao tinha acabado. Seus colegas colaboravam com ideias, anedotas e perguntas o que contribuia para furar o seu bloqueio mental e continuar a escrever. Conseguimos fazer a analogia com o caso citado na entrevista (o caso do carro da Fiat) em que a empresa abriu as portas para ideias e participacao do publico, agregando valor ao produto, ideias criativas de quem ve o produto de fora como usuario e inovacao no mercado. Esse tipo de acao de compartilhar tambem podemos ver no cenario off line como no caso da empresa de pasta dental que estava tendo prejuizo, pois seu sistema automatizado nao identificava caixas vazias nas esteiras. As caixas so eram percebidas quando ja estavam nos supermercados. A empresa contratou diversos engenheiros para descobrir a falha do sistema automatizado, gastou muito dinheiro e o problema nao era resolvido. Ate que o diretor de qualidade resolveu abrir a questao aos funcionarios da fabrica e conseguiu a solucao! Um operario falou: eh so colocar um ventilador que o vento ira jogar a caixinha vazia no chao. Ideia simples, barata e que so veio porque a questao foi aberta para quem lida com o produto. Este tipo de acao de "postar" algum problema ja eh real e presente no ambiente online, onde num determinado site vc posta o problema da sua empresa e oferece uma recompensa para a melhor solucao. Eh a era do "sharing" chegando nas empresas.
A Criatividade nao eh limitada somente em lancar um produto ou servico novo, ou numa nova forma de divulgacao. Mas ela eh sem limites e deve ser praticada por todos nesse novo mundo que vivemos. Precisamos ter criatividade em como convencer a hierarquia de um empresa que a inclusao da empresa no mundo digital sera benefica e quais os melhores canais, formas e quantidade de informacao, posts ou em que contexto eles estarao inseridos;
Devemos ter criatividade em lidar com as diferencas entre geracoes e suas peculiaridades;
Devemos ter criatividade para inserir o novo contexto de mundo no velho contexto de empresa, com cartao de ponto, emails e redes sociais bloqueados, horarios pre-estabelcidos, etc;
E precisamos de um tempo de ocio para podermos abrir a mente para entender o que ha de novo do mundo e incitar a nossa criatividade. Domenico de Masi, sociologo italiano, discorreu este assunto em seu livro O Ocio Criativo e o grande compositor Ludwid van Beethoven fazia longas caminhadas pelo jardim para poder espairecer a mente e conseguir terminar suas lindas obras.
Ou seja, nesse campo tao vasto e rapido de mudancas que eh dificil de se acompanhar, a criatividade precisa andar lado a lado conosco e para tentar acompanhar estas mudancas precisamos de um tempo para relaxar.
Talvez seja por isso que o mercado brasileiro esteja borbulhando: somos um povo que sabemos relaxar, sabemos compartilhar com os amigos (o famoso boca a boca), sabemos ser criativos (eh so ver um desfile de escola de samba - criatividade personificada em 80minutos de desfile). Somos um povo que esta adotando o mundo digital com facilidade, porem devido ao nosso historico e modelo empresarial e fabril estamos com essas duvidas e incertezas inciais. O trabalho sera duro, mas nao impossivel. A frase " nao use velhos mapas para descobrir novas terras" eh bonita, faz sentido e eh inspiradora. Eu particularmente nao concordo 100%, pois penso que um velho mapa nos da base, um ponta pe inicial, um meio de estrategia, para podermos mudar o cenario, explodir paradigmas e ai sim descobrir novas terras. Podemos aprender com o passado e mudar o futuro.
Comentar