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A gestão e estratégia do setor de entretenimento

O Portal HSM traz uma entrevista exclusiva com o Coordenador da pós-graduação em Gestão de Entretenimento da ESPM-RJ: Eduardo Murad. Nela, o professor fala de como o setor de entretenimento está crescendo no país e como as grandes corporações devem encarar esse segmento de forma estratégica.

Em termos de condições de trabalho e gestão profissional, o mercado de entretenimento está evoluindo no país e no mundo?
Sim. E está evoluindo de várias formas. Você tem crescimento no número de informação na área, desde cursos técnicos até mestrados, temos também instituições capacitando profissionais na área para atuação específica nesse mercado. O Rio de janeiro tem, pelo menos, 4 instituições com esse enfoque, inclusive a ESPM-RJ. Além disso, temos instituições como SEBRAE, SENAI e SENAC que fomentam a pesquisa na área e capacitam cada vez mais profissionais para atuação no mercado.

Nos últimos anos, a área de eventos cresceu mais de 300%. E esse número vai crescer ainda até 2016, com um calendário repleto de grandes eventos que serão sediados no Rio de Janeiro. O profissionais que atuam nas áreas de comunicação e marketing já perceberam o quão lucrativo é o mercado do entretenimento. Eles estão utilizando essa área de evento como estratégia de divulgação. Criam ações de marketing de experiência que geram visibilidade para a marca e uma maior aproximação com o público de massa. Essas ações são as que mais cresceram no mercado de marketing do Brasil e mundo, segundo dados da AMPRO (Associação de Marketing Promocional).

No mundo inteiro, questões como o envelhecimento da população, a inclusão das classes C e D, fazem com que as áreas como turismo, cinema, teatro estejam em franca expansão para atender a esses públicos. Podemos citar também a linha de pesquisa sobre economia criativa. Hoje, não só no Brasil como em todo o mundo, entende-se que essa área é uma área econômica muito rentável e que precisa ser bem explorada. Programas de qualidade nessa área, olimpíadas militares, projetos que têm crescimento significado em áreas de entretenimento, além de serviços correlatos.

 

O Brasil receberá a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Quais são as oportunidades e dificuldades para o país nestes grandes eventos?
Nossa maior dificuldade está em infraestrutura. Precisamos rever todos os pontos: aeroportos, vagas em hotéis, transporte público e segurança, esses são alguns dos principais desafios que temos. Constroem-se estádios “facilmente”. Precisamos lidar mais afundo com as questões sistêmicas. Precisamos ter a capacidade para trabalhar com serviços. Capacitar as pessoas para atuarem nessa área para lidar com pessoas que estão acostumadas a serem muito bem tratadas em eventos internacionais.

Assim, tudo o que hoje é problema, vira uma oportunidade. Novos bares e restaurantes, lugares com acervos culturais, mais hotéis, tudo é oportunidades de negócios. Na minha opinião, o mercado de prestação de serviço é o que mais vai crescer ao longo desses próximos anos.

 

Em paralelo aos dois grandes eventos, quais serão as outras oportunidades para o mercado de entretenimento?
Além desses, vários outros megaeventos. O Brasil está entrando no circuito de grandes eventos mundiais. Esse mercado está acrescendo e agora estamos dentro, vide a quantidade de shows internacionais que tivemos aqui somente em 2010. Podemos citar também o crescimento de esportes como corridas, maratonas, triatlos. Essas modalidades estão crescendo e, com isso, o patrocínio no esporte, sendo olímpico ou não, está crescendo. Para se ter uma ideia, todo final de semana tem uma corrida de rua no Rio de janeiro.

Outro item que podemos citar é a profissionalização do nosso cinema. Estamos em um momento de alavancagem, o chamado "quarto pico". Trata-se de um cinema mais técnico, profissional, inclusive concorrendo a prêmios internacionais.

Por fim, acrescento o “Entretenimento Digital”. O Brasil está começando a se posicionar com o advento de games, competições, recursos web. Não podemos esquecer do Turismo, que também cresce muito. Temos que nos preparar para receber os turistas. Nossa estrutura é ainda deficitária. Não é só ir à praia. Precisamos oferecer um turismo mais completo, para que o turista possa viver todos os elementos da cidade: gastronomia, história, artes plásticas, ou seja, usar a cidade de todas as formas. O grande desafio é fazer com que o turista fique na cidade mais de 1 dia para que ele possa conhecer as qualidades da cidade que vão além da praia. Acrescento que essa é uma área enorme, muito vasta. Há, pelo menos, 50 áreas correlatas embutidas nisso.

 

Como tendência, o que podemos dizer que o consumidor moderno exigirá na área de entretenimento nos próximos anos?
O que mais falta não é tecnologia, mas sim um atendimento bem feito, serviço bem prestado. Ideias geniais nós temos, mas não temos como servi-la de forma correta, muitas vezes.

Portal HSM
23/11/2010

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Comentários

Excelente conteúdo, parabéns Murad! Vamos com tudo RIO!

Nossa, se prender o turista no Rio é dificil, em PE é mais dificil ainda. O turista dá uma passadinha por Recife no trajeto entre Olinda e Porto de Galinhas!

concordo com o prof. Eduardo Murad, temos que criar projetos para segurar o turista em nossas cidades, exemplo disso, será a copa de 2014, onde PERNAMBUCO irá sediar alguns jogos, precisamos oferecer ao turista muito mais que sol e mar.

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