Empresas que adotam práticas sustentáveis priorizam gestão de triplo resultado

O tripé de uma atitude sustentável compreende preocupações ambientais, sociais e econômicas. Amanco, Grupo Boticário e Braskem apresentam cases no I Debate de Sustentabilidade HSM
Empresas inovadoras que investem em sustentabilidade têm em comum a premissa da gestão de triplo resultado: ambiental, social e conômico. Esse é o caso da Amanco, do Grupo Boticário e da Braskem, que apresentaram seus cases de gestão sustentável durante o I Debate de Sustentabilidade HSM, evento patrocinado pelo Grupo Boticário, paralelo ao Fórum HSM de Inovação e Crescimento 2011. Confira agora as práticas que essas empresas adotam, tendo como premissa todos os aspectos que envolvem a sustentabilidade.
Amanco: Capacitação e desenvolvimento
A presidente da Mexichem Brasil – dona da marca de tubos e conexões Amanco –, Marise Barros, explica que a gestão de triplo resultado vai além das metas econômicas. “Isso passou a ser mandatório, deixa de ser uma filosofia de trabalho para ser uma filosofia de vida que atrai colaboradores que também pensam nisso”, destaca. Marise explica ainda que qualquer projeto da empresa é avaliado de acordo com a cadeia de valores. “O planejamento é feito sempre pensando em quem vamos impactar com o nosso trabalho.”
Entre as iniciativas da empresa está a preocupação com a falta de mão de obra qualificada na construção civil, em especial os encanadores, profissionais que mais utilizam seus produtos. Além disso, a empresa se preocupa com a redução do consumo de matéria-prima, reciclagem e utilização de energias alternativas. "Em Pernambuco, temos uma fábrica que é sustentada com energia do bagaço da cana”, conta Marise.
Em parceria com o Senai, a Amanco investiu em cursos para qualificar os encanadores e criou o pojeto Doutores da Construção. “Essa iniciativa faz parte da cadeia de valores do nosso negócio porque se esse profissional não se desenvolver e não souber trabalhar bem com o nosso produto, o problema vai acabar sendo diagnosticado como do produto”, exemplifica a executiva.
O curso, realizado em lojas de material de construção, formou 35 mil encanadores que obtiveram diploma. Hoje, no site do projeto, é possível encontrar encanadores que fizeram o curso. “Basta colocar o seu CEP para obter as informações do profissional mais próximo de você”, destaca.
A iniciativa provocou interesse em outros profissionais da construção civil e a Amanco buscou empresas de cada setor para promover outros cursos de capacitação. De acordo com a executiva, 256 lojas são pontos de treinamento e quem faz todos os módulos do curso também recebe uma carteirinha que o identifica como profissional qualificado. Além disso, o projeto trouxe para o profissional melhores condições de encontrar trabalho e promoveu a inclusão das mulheres, que representam 12% dos que concluíram o curso.
Outra iniciativa da Amanco é a criação de um cartão de crédito – Credconstrução – que pequenos lojistas podem oferecer para os encanadores, que geralmente são profissionais autônomos e não têm comprovação de renda para obter outros tipos de crédito. Marise ressalta que a falta de crédito é um restritivo de crescimento desse profissional. A loja, por sua vez, pode personalizar o cartão com a sua marca, facilitar o relacionamento e fidelizar o seu cliente. “É mais qualidade e segurança de trabalho para todos”, conclui.
Grupo Boticário: Iniciativa estratégica
O segundo case apresentado foi do Grupo Boticário, patrocinador do evento. Segundo Rebeca Daminelli, coordenadora de responsabilidade social da empresa, a sustentabilidade está inserida no jeito de fazer negócio e o objetivo é disseminar essa cultura no país. A denominação Grupo Boticário foi criada em 2010 e conta com duas marcas de consumo: O Boticário, que existe há 34 anos e a Eudora, empresa de cosméticos e perfumaria de venda direta criada este ano. Rebeca destaca a presença da gestão de triplo resultado em todas as decisões e processos da empresa.
Entre as iniciativas sustentáveis está a Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, criada em 1990 e hoje chamada de Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que apoia projetos e desenvolve processos relacionados ao tema. Em 2005, a empresa criou o Programa de Apoio à Sustentabilidade de Fornecedores e Franqueados. “São realizadas oficinas anuais para afinar o discurso, educar e mobilizar fornecedores e franqueados. Além disso, 6% da pontuação dada nas notas de suas avaliações são vinculadas às práticas de sustentabilidade”, destaca a executiva.
A partir de 2008, a empresa inseriu a sustentabilidade em processos e no modelo de gestão como objetivo estratégico para o negócio. “Passamos a ter iniciativas sustentáveis mais estruturadas com metas definidas e avaliações de resultado vinculadas a avaliações de desempenho. Assim construímos uma reputação positiva e sólida no mercado”, afirma Rebeca.
A executiva também chama atenção para o interesse do consumidor e o papel das empresas nessa conscientização sobre sustentabilidade . Uma pesquisa realizada em 2010 revela que 44% das pessoas adotam práticas sustentáveis e 20% prentedem adotar. Outro dado que reforça o pensamento de Rebeca é que 59% dos brasileiros acham que as empresas têm responsabilidade na educação do consumidor.
A conclusão de Rebeca é que para se obter uma governança de sustentabilidade é necessário uma visão de longo prazo. “A responsabilidade precisa ser compartilhada em todos os processos para a construção de uma estratégia sustentável e para que a empresa tenha essa identidade.”
Braskem: Plataforma de inovação
A Braskem, indústria petroquímica, fechou a apresentação de cases durante o evento. O diretor de desenvolvimento sustentável da empresa, Jorge Soto,destacou o compromisso público de integração com a comunidade onde a Braskem atua e com a preservação do meio ambiente. “Esses fatores contibuem para aumentar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e envolvem a cadeia de valores nesse compromisso. Isso é fundamental.”
Soto também reforçou a importância da responsabilidade conjunta que governo, empresas privadas e sociedade devem ter para se sentirem parte da solução sustentável. O executivo destaca que a Braskem tem investido em melhorar os impactos diretos na comunidade e também em capacitação para que a sustentabilidade seja uma plataforma de inovação da empresa.
Na prática, a empresa investiu na criação do polímero verde, uma das resinas mais utilizadas em embalagens flexíveis com conceito 100% renovável, que contribui para redução do efeito estufa. “O plástico não é só o vilão e pode contribuir com a longevidade de seus produtos como tanques de combustíveis, lajes leves, botijões e muitas outras funcionalidades”, explica Soto.
Vale também destacar entre as iniciativas da empresa a redução de 62% na geração de resíduos. Soto chama atenção para uma prática que serve de exemplo: ampliar o olhar na busca do desenvolvimento de outros produtos pensando em sustentabilidade. Para finalizar, o executivo afirmou que a visão da Braskem para 2020 é ser líder global de química sustentável. “Nosso objetivo é inovar sempre para melhor servir às pessoas.”
Efeito multiplicador
Ao final das apresentações foi realizado um debate entre os executivos, incluindo a palestrante da abertura do evento, a publicitária Christina Carvalho Pinto e a plateia. Umas das questões levantadas durante o debate é a necessidade de mais divulgação das práticas sustentáveis e de inovação em benefício da sociedade. “A comunicação transparente e a disposição para arriscar são chaves prar o sucesso”, disse Christina.
Outra questão discutida foi como agir para olhar o todo e não só a cadeia de valor. De acordo com Christina quando você foca em ambiente micro, as atitudes acabam se refletindo no macro e o resultado se multiplica com o impacto. “Ideias são como uma pedra jogada num lago e têm um impacto brutal.”
A palestrante destacou a presença de participantes de empresas de previdência e de fundos, por exemplo, que demonstram estarem mais preocupadas com a questão da sustentabilidade. “Empresas que lidam com negócios onde o foco é o futuro estão mais preocupadas com o hoje”, comemora. Christina encerrou o debate com a conclusão que “continuar a acelerar esse processo de evolução é um papel de todos nós”.
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Veja a cobertura completa do Fórum HSM de Inovação e Crescimento 2011
Portal HSM
30/06/2011


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