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Criatividade está na moda

Em diversos setores do mercado comenta-se, cada vez mais, a importância da criatividade. Fala-se dela, recorrentemente, sempre ligada à sua causa e consequência, a inovação.

Será essa mais uma onda passageira como todas, um modismo, uma invenção de gurus do campo da gestão? Ou se trata de uma fase do mercado de mão de obra? Ou de um novo aspecto do universo da tecnologia? Sabemos que a inovação veio para ficar, como base da competitividade. Mas a criatividade, em si, por que está tão em alta? Arrisco uma resposta inusitada, que defenderei a seguir: hoje, criatividade está sendo mais usada para substituir a competência.

A edição de junho, da revista da ESPM, dedicada ao tema empregabilidade, nos confirma na maioria de seus textos e suas entrelinhas, que infelizmente a falta de competência é uma epidemia nacional. O recente escândalo dos 90% de reprovação no exame da OAB é apenas um pico dessa desastrosa paisagem, mas confirma o panorama. Trememos ao imaginar o que revelaria esse tipo de exame, da Ordem dos Advogados, feito em outras profissões.

Pois bem, por um mecanismo de ajuste do mercado à sua realidade do momento, a solução no curto prazo passou a ser procurada dentro da arte do possível, na urgência para preencher postos de trabalho. E aí aparece um remendo: se não se consegue selecionar gente capaz, o remédio é escolher quem tem jeito para substituir a técnica pela gambiarra. Vamos nos virar com as pessoas criativas, que talvez nos tragam menos prejuízo do que não contar com ninguém.

Entretanto, quase todo problema funciona também como um indutor de novas soluções, e o meu olhar veterano, de quem leciona criatividade desde 1986, antevê o surgimento em médio prazo de uma “solução de mercado” para a falta de consistência técnica dos novos profissionais. Alimentando com um pouco de fantasia essa visão intuitiva, vou então passar para o campo que fica entre a conjectura e o sonho. O que vejo?
Vejo um movimento de alunos não se conformando mais com sua fraca formação, exigindo mais das escolas. E um mecanismo normal de depuração do mercado inicia a eliminação das entidades que se posicionam como simples vendedoras de diploma, já que existe gente para comprar.

Noto assim o sonhado canudo passar a ser mais que um documento caro e falso. Percebo um novo patamar de consistência técnica começar a prevalecer e até a entrar em moda, enquanto a criatividade volta a ocupar sua posição natural como uma maravilhosa característica humana, que, somada à competência e à ética, é fator de crescimento e realização.

Nesse mundo futuro, minha visão otimista enxerga a gambiarra sendo trocada pela competência, que nasce com o comprometimento do estudante, a partir da campainha avisando o início da aula, um marco do começo de sua consistência profissional.

Concluo acordando, mas acreditando que um sonho bom como esse tem a chance de se tornar realidade, simplesmente porque beneficiaria a todos: aos jovens, às empresas e a todo o mercado. E, portanto, à sociedade e seu futuro.

José Predebon é professor de Criação do Curso de Férias da ESPM.

Portal HSM
02/08/2011


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