Clayton Christensen: As empresas que estão subindo também podem te matar

Abrindo o ciclo de palestras no auditório principal da HSM ExpoManagement 2011, Christensen fala sobre a importância da inovação e da atenção a todos os players
Seguir a cartilha dada pela maior parte dos professores de finanças nas universidades de administração pode levar uma empresa à ruína. Por isso, a ruptura é o caminho indicado por Clayton Christensen para a inovar e ter e sucesso na companhia.
O professor de Inovação na Harvard Business School e autor de cinco best-sellers, entre eles “O dilema da inovação”, “O crescimento pela inovação” e “Seeing what's next” esteve na HSM ExpoManagement 2011 nesta segunda-feira (7/11) e apresentou diversos exemplos de como a diminuição de ativos de fabricação para o aumento dos lucros levam à perda de participação de mercado no longo prazo.
“Ao perseguimos algo que os professores de finanças nos ensinam, você acaba ficando com praticamente nada nas mãos”, disse Christensen, explicando que esse tipo de erro não pode ser considerado “burrice” ou exatamente um problema de administração, já que os gestores – na maior parte das vezes – apenas seguiram o que foi ensinado nos cursos.
Na maior parte dos casos apresentados, grandes empresas acabaram perdendo espaço para players de mercado de menor relevância. “Sempre olhe para a base, porque essas empresas que estão subindo é que podem te matar. Mas se você quer matar alguém é por aí que deve começar”, aconselha Christensen.
Veja abaixo um dos exemplos mostrados pelo professor.
Caso Dell
Um caso de ruptura na cadeia de suprimentos pode ser observado na história da Dell. Christensen contou como a gigante de informática perdeu espaço para a Asus Tek, que começou fabricando circuitos simples para a Dell. Após alguns anos, a empresa sugeriu o fornecimento de placas-mãe por um valor 20% mais baixo do que a Dell gastava na produção própria.
A Dell aceitou e sua receita não foi afetada, fazendo com que os lucros das duas empresas subirem. Parecia um bom negócio. Aos poucos, a Dell se desfez de toda sua cadeia produtiva para a montagem de computadores e logística.
Durante todos os anos que se seguiram após a Dell terceirizar sua produção para a Asus Tek as empresas elevaram seus lucros e a Dell reduziu sua receita operacional. Até que a empresa cedeu também seu design e marca para a Asus.
Christensen conta que o negócio ainda era lucrativo, já que a Dell havia reduzido consideravelmente seus ativos e aumentado seus lucros com o baixo custo da terceirização.
Porém, com todo o know-how do setor e a cadeia produtiva em suas mãos, a Asus Tek ofereceu computadores mais baratos à rede varejista americana Best Buy, tomando boa parte do mercado antes pertencente à Dell.
“Se quiserem que sua empresa morra, siga esse caminho que é terceirizar cada vez mais, porque poderão efetivamente liquidar sua empresa. Por outro lado, se quiserem criar sua empresa e ir subindo no mercado você terá oportunidades de criar produtos novos”, afirma Christensen, que também deu o conselho: “Se estou preocupado com algo que pode matar minha empresa eu devo olhar na base do mercado”.
Portal HSM
07/11/2011
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Comentários
sex, 05/11/2012 - 13:46
Não vejo problema algum em alavancar um parceiro de negócios tal qual a Dell fez. O que esse senhor não entende é a estratégia coorporativa da companhia e está dizendo algumas bobagens por aí. Nenhum negócio vai morrer pela terceirização, ainda mais se for muito bem feita como é o caso da Dell ... A Asus é um dos maiores fabricantes de motherboards do planeta, sua tecnologia é uma das melhores do mercado, a Unisys presta um excelente atendimento ao público no que tange a terceiração do suporte, só tenho de bater palmas à Dell pela inovação, diminuição de custos e por sua brilhante estratégia de querer se tornar uma empresa end-to-end ... ela está atacando forte na prestação de serviços ultimamente de forma que se você escolher a Dell, ela vai lhe vender o hardware, o software e o serviço para instalação e manutenção do produto. É o melhor relacionamento possível ... quer pior coisa que ligar pro fabricante e ele botar a culpa no hardware que não conversa com o software e vice versa? Quanto tempo se gasta com terceiros para tentar arrumar o problema? Isso quando se encontra alguém que possibilite a solução!!! Se for analisar outras empresas do setor trilharam ou estão trilhando o mesmo caminho. Veja o caso da IBM, nos primórdios ela vendia seu hardware, seu mainframe milionário ... hoje ela é uma empresa muito mais voltada à software e à prestação de serviços do que era no passado ... tanto desks e notes saíram de sua fabricação própria, ela vendeu para a Lenovo a marca Thinkpad. Obviamente que aí existe uma "mutreta" para diminuir o pagamento de impostos e a IBM ainda tem parte da Lenovo. A HP, que vem perdendo mercado ano a ano comprou uma empresa de serviços, a Knightsbridge Solutions, pois ela precisava entregar toda a cadeia assim como a Dell está fazendo. Não há como criar um know-how do nada. Terceirizar ou mesmo adquirir uma outra companhia faz parte do planejamento estratégico dessas empresas ... agora vem esse senhor dizer que isso vai matar o negócio??? Isso faz parte da estratégia DELE, de ser polêmico ... Sinceramente seu Clayton, eu sei que você diz isso para dar palestras pra universitários e vender livros!!! Não compro sua idéia!!!
qui, 12/01/2011 - 18:36
Olha que legal Lu!
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