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Arias: Não podemos competir com a China

Prêmio Nobel da paz, Oscar Arias questiona o por quê os países latino-americano não investem mais em educação e no combate à pobreza e à desigualdade

Oscar Arias, prêmio Nobel da Paz de 1987, contou aos presentes no Fórum HSM Negociação 3.0, que a Costa Rica é um país que não tem forças armadas desde 1949. Para ele, a América Latina deveria investir muito mais em educação, saúde, segurança, redução de desigualdades e meio ambiente do que em aparato bélico.

Posicionando-se fortemente a favor do diálogo e contra à luta armada, Arias revelou que em 2010, nenhuma região do mundo investiu mais na área militar do que a América Latina.

“Por quê? Nosso inimigo continua sendo a pobreza e a desigualdade e não devemos satisfazer o desejo de grandeza de nossos militares e nosso sistema de valores privilegia as armas em detrimento da educação”, afirma.

Entre os temas que o líder costarriquenho abordou durante a sessão de perguntas conduzida por Marcos Braga, presidente da HSM Brasil, estão a educação, a concorrência com a China e a corrupção.

Arias considera a questão da educação prioritária, pois “continua sendo o calcanhar de Aquiles na América Latina”. Para ele, o ensino aqui é ruim tanto em termos quantitativos quanto em qualitativos. “Entre as 200 melhores universidades do mundo, talvez tenhamos uma, e certamente brasileira. Entre as 150 melhores, não há nenhuma latino-americana”, comentou.

O ex-presidente da Costa Rica, que levou o Programa Bolsa-Escola para seu país, assinalou também o mal desempenho de nossos jovens nas avaliações de desempenho escolar: “Pelo sistema Pisa, até os Estados Unidos não estão bem e ocupam o 25º lugar. A Finlândia foi, por anos a fio, a primeira colocada, mas agora a China, que investe muito mais do que a América Latina em educação, está na dianteira.”

O país oriental gasta, em armas, um sétimo do que despendem os Estados Unidos. “A China está investindo 49% de seu Produto Interno Bruto em estrutura, educação e competitividade. Certamente, a América Latina não pode competir com a China”, constatou.

Ele também ressaltou que o país que mais diversificou sua economia na região foi o Brasil, e confessou: “Quando entro no avião da United Airlines, que é uma aeronave da Embraer, fico orgulhosíssimo. Mas este é o século dos asiáticos.”

Outro tema levado à reflexão para os participantes foi a corrupção. Ele contou que Helmult Schmidt, ex-chanceler da Alemanha considerado por ele um dos maiores estadistas de todos os tempos, certa vez lhe perguntou: “Oscar, por que há tanta corrupção na América Latina?”. Arias confessou não saber exatamente por que, mas disse que talvez fosse um problema de valores.

“Nossas famílias não nos educaram nos valores corretos. Predomina a cobiça de enriquecer a qualquer preço, sem trabalhar, e isso resulta em corrupção. Por que o alemão é menos corrupto? Acho que é algo cultural. Não tenho outra explicação.”

Portal HSM
25/08/2011

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